Estudo revela que a escassez de competências se está a agravar em 2026. A maioria das organizações planeia contratar para colmatar lacunas, num contexto de maior complexidade no recrutamento
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As empresas entram em 2026 confrontadas com lacunas de competências cada vez mais acentuadas e processos de contratação mais complexos. De acordo com um estudo da Robert Half, apenas 6% das organizações afirmam dispor do talento necessário para concluir projetos considerados prioritários. O inquérito, realizado junto de mais de 2.000 gestores de contratação nos Estados Unidos, indica que 62% consideram que as lacunas de competências são hoje mais evidentes do que há um ano. A escassez afeta transversalmente várias áreas, com níveis particularmente baixos em funções como jurídico, marketing, finanças, recursos humanos, tecnologia e saúde. No setor jurídico, apenas 1% dos gestores afirma ter o talento necessário para projetos críticos. Em marketing e áreas criativas, esse valor desce para 4%. Finanças e contabilidade, tecnologia, recursos humanos e saúde registam valores entre 6% e 7%, enquanto funções administrativas e de apoio ao cliente apresentam uma taxa de 12%. Apesar deste cenário, a maioria das empresas mantém uma perspetiva positiva. Cerca de 83% dos gestores dizem estar confiantes no desempenho do negócio em 2026, sendo que 43% antecipam um crescimento forte. Para responder às necessidades, 60% planeiam reforçar as equipas permanentes no primeiro semestre do ano e 55% admitem aumentar a contratação de profissionais em regime temporário ou de contrato. Segundo a Robert Half, esta abordagem híbrida permite às organizações manter agilidade operacional e assegurar o avanço de iniciativas estratégicas, mesmo num contexto de escassez de talento especializado. O estudo destaca ainda que a adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa está a tornar os processos de recrutamento mais exigentes. Cerca de 65% dos gestores afirmam que contratar se tornou mais difícil devido ao aumento de candidaturas geradas ou otimizadas por IA, enquanto 58% referem maior dificuldade em identificar candidatos verdadeiramente qualificados face ao ano anterior. A utilização de IA na preparação de currículos, candidaturas e portfólios tem obrigado as empresas a investir mais tempo na validação de competências e da capacidade real de execução, aumentando o risco de desalinhamento entre expectativas e desempenho. A Robert Half conclui que, perante este cenário, as organizações estão a recorrer cada vez mais a parceiros especializados para avaliar competências de forma rigorosa e apoiar decisões de contratação, procurando mitigar riscos num mercado de trabalho marcado por escassez de talento e maior complexidade tecnológica. |