Estudo da Experis revela que a IA é cada vez mais valorizada como ferramenta de apoio ao recrutamento e onboarding, com foco em eficiência e capacidade de utilização responsável
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A utilização de Inteligência Artificial (IA) nos processos de recrutamento está a tornar-se uma prática amplamente aceite pelas empresas em Portugal. O novo estudo da Experis, “Global Insights Whitepaper: Construir e sustentar uma carreira significativa na era da IA”, baseado no ManpowerGroup Employment Outlook Survey, referente ao segundo trimestre de 2025, que conta com uma amostra de 525 empresas portuguesas, e o Experis CIO Outlook, que dispõe de uma amostra de 1393 líderes tecnológicos globais, refere que 80% dos empregadores nacionais consideram aceitável que os candidatos recorram a ferramentas de IA durante a procura de emprego, refletindo uma mudança significativa na forma como a tecnologia é encarada na relação entre empresas e candidatos. Segundo o estudo, a IA está a consolidar-se como uma ferramenta relevante tanto para empregadores como para candidatos, especialmente nos processos de recrutamento e onboarding. Para Nuno Ferro, Brand Leader da Experis, o uso de IA pelos candidatos deixou de ser visto como uma infração e passou a ser encarado como um reflexo natural da evolução do mundo do trabalho. “O verdadeiro fator diferenciador deixou de ser o acesso a esta tecnologia e passou a ser a forma como é utilizada. Os candidatos mais valorizados são aqueles que sabem aplicar a IA com critério, transparência e alinhamento com o grau de maturidade digital das empresas”, refere o responsável. A nível global, a aquisição de talento é uma das áreas onde a adoção de IA está mais avançada. O estudo revela que 53% dos empregadores em todo o mundo já utilizam ferramentas baseadas em IA nos processos de contratação e integração de colaboradores. Em Portugal, esta percentagem situa-se nos 40%, sendo que 25% das empresas planeiam implementar estas soluções nos próximos 12 meses. Apesar da crescente aceitação da IA, os níveis de maturidade variam entre organizações. Ainda assim, os empregadores demonstram uma valorização crescente de candidatos capazes de utilizar estas tecnologias de forma responsável e informada. Em Portugal, 35% dos empregadores aceitam o uso de IA para explorar oportunidades profissionais, 31% para preparar entrevistas, 29% para obter informação sobre as empresas e 28% para otimizar currículos ou cartas de recomendação. A nível global, a aceitação do uso de IA pelos candidatos sobe para cerca de 85%. A abertura à utilização de IA varia também consoante o setor de atividade. Em Portugal, as áreas de Tecnologias da Informação, Energia e Serviços Públicos, bem como Transportes, Logística e Automóvel, destacam-se como as mais recetivas. O estudo aponta ainda para uma relação direta entre a maturidade digital das empresas e a sua abertura à utilização de IA por parte dos candidatos, sendo que organizações menos avançadas tendem a revelar maior resistência. O relatório conclui que a IA deve ser encarada como uma ferramenta de apoio ao recrutamento, capaz de aumentar a eficiência dos processos, mantendo o fator humano — como o julgamento, a ética e a capacidade de comunicação — como elemento central na tomada de decisão. |