A adoção acelerada de Inteligência Artificial nas empresas está a aumentar a ansiedade entre os trabalhadores. Um novo estudo da Dexian aponta também para uma quebra de confiança na forma como as organizações estão a gerir esta transformação
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A expansão da Inteligência Artificial (IA) nas empresas está a ser acompanhada por receios crescentes de perda de emprego, com 69% dos trabalhadores inquiridos a apontarem preocupações sobre o impacto da tecnologia na sua estabilidade profissional. A conclusão surge do relatório Work Futures 2026, da Dexian, que revela um desfasamento entre a confiança das lideranças e o sentimento dos colaboradores. De acordo com o estudo, conduzido em dezembro de 2025 e baseado num inquérito a mil trabalhadores a tempo inteiro e quinhentos líderes de topo, abrangendo vários setores, aponta que 69% dos trabalhadores afirmam estar, pelo menos, “um pouco preocupados” com o facto de a IA e a automação poderem afetar negativamente a sua segurança laboral ou perspetivas de carreira. No mesmo documento, pode ler-se que 35% dos trabalhadores identificam a segurança e estabilidade no emprego como a maior preocupação num ambiente de trabalho cada vez mais orientado pela tecnologia. A desconfiança em relação às empresas é outro sinal relevante, com o relatório a indicar que apenas 21% dos trabalhadores dizem confiar completamente na capacidade do empregador para lidar de forma justa com a IA e a automação, enquanto 27% reportam ter “pouca ou nenhuma confiança” nessa gestão. Apesar destas reservas, os empregadores mostram-se cada vez mais confiantes. O estudo revela que 51% das organizações consideram estar “muito preparadas” para se adaptarem aos avanços tecnológicos no seu setor, um aumento face aos 38% registados no relatório do ano anterior. Além disso, 39% dizem sentir-se “razoavelmente preparadas”. O documento aponta ainda que a discussão em torno da IA nas empresas está a mudar de tom. Segundo a Dexian, o debate já não está centrado em saber se a IA e a automação vão ter impacto, mas sim em perceber “como é que as organizações as vão implementar de forma justa, transparente e com capacidade de potenciar o valor humano”. No campo da comunicação interna, o relatório identifica fragilidades persistentes, já que 22% dos trabalhadores dizem não estar “muito” ou “nada” confiantes de que os seus empregadores estejam a investir em práticas que os ajudem a prosperar num contexto de mudança tecnológica. A formação surge como um dos pontos críticos para reduzir a tensão, com quase metade dos trabalhadores inquiridos (48%) a afirmar ter participado em programas de requalificação ou melhoria de competências disponibilizados pela empresa, mas 35% dizem que não lhes foi oferecida formação, embora aceitassem participar caso estivesse disponível. A Dexian conclui que a tecnologia, por si só, não será suficiente para garantir vantagem competitiva e defende que as organizações que liderarem nos próximos anos serão aquelas que conseguirem alinhar inovação com mobilidade interna, competências, comunicação e confiança. No relatório, pode ler-se ainda que estratégias como contratação orientada por competências, upskilling e comunicação transparente deixaram de ser iniciativas opcionais e passaram a ser “necessidades estratégicas”. |