Comissão Europeia alerta para dependência tecnológica externa

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, alertou para os riscos da dependência europeia de tecnologia estrangeira. A responsável defende o reforço da soberania tecnológica e aposta em soluções europeias.

Comissão Europeia alerta para dependência tecnológica externa

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável pela soberania tecnológica, Henna Virkkunen, alertou para os riscos estratégicos da dependência europeia de tecnologia estrangeira, sublinhando que essa dependência pode ser usada como instrumento de pressão contra a União Europeia.

A intervenção ocorreu num evento organizado pelo Politico, dedicado à liderança digital europeia, onde Virkkunen afirmou que a Europa atravessa um “momento de independência”. Segundo a responsável, acontecimentos recentes reforçaram a perceção de vulnerabilidade do continente face a terceiros em áreas tecnológicas críticas.

Virkkunen destacou que a pandemia de Covid-19 e a invasão da Ucrânia pela Rússia evidenciaram fragilidades estruturais da Europa, sem apontar diretamente os Estados Unidos como um parceiro do qual seja necessário distanciamento. A vice-presidente reconheceu a importância da relação transatlântica, mas defendeu que a competitividade e a segurança europeias exigem capacidades próprias e menor dependência externa.

A responsável alertou que, no atual contexto geopolítico, dependências tecnológicas podem ser “instrumentalizadas” contra a União Europeia. Por esse motivo, defendeu uma estratégia ativa de reforço da autonomia tecnológica, incluindo o recurso mais sistemático à contratação pública para apoiar empresas e soluções desenvolvidas na Europa.

Nesse sentido, Virkkunen manifestou apoio à utilização da contratação pública como alavanca para o crescimento do ecossistema tecnológico europeu, alinhando-se com propostas que defendem uma maior orientação para fornecedores europeus. Estas medidas deverão ser enquadradas num futuro “Industrial Accelerator Act”, atualmente em preparação pela Comissão Europeia.

A vice-presidente sublinhou que entidades públicas, como governos, municípios, regiões e a própria Comissão, são grandes consumidoras de serviços de tecnologias de informação e comunicação, podendo desempenhar um papel relevante no estímulo à inovação e ao crescimento de startups europeias.

Virkkunen está a coordenar um pacote legislativo focado na soberania tecnológica, com apresentação prevista para a primavera, que deverá abranger áreas como cloud, inteligência artificial e semicondutores. Questionada sobre as prioridades, apontou os chips como um elemento crítico, referindo que a incapacidade europeia de conceber e fabricar semicondutores avançados representa um problema estrutural para todo o ecossistema tecnológico.

Segundo a responsável, citada pelo Politico, os semicondutores são uma base essencial para o desenvolvimento de outras tecnologias, tornando o reforço da capacidade europeia neste domínio uma condição necessária para reduzir a dependência externa e aumentar a resiliência tecnológica da União Europeia.

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