IA reforça peso estratégico dos Chief Data and Analytics Officers nas organizações

Os CDAO estão a assumir um papel cada vez mais central nas estratégias de IA das organizações, com 94% a antecipar um aumento da sua influência no próximo ano, segundo um novo estudo da Deloitte

IA reforça peso estratégico dos Chief Data and Analytics Officers nas organizações

A adoção acelerada de Inteligência Artificial (IA) está a reforçar o papel estratégico dos Chief Data and Analytics Officers (CDAO) nas organizações. De acordo com o estudo “2026 Chief Data and Analytics Officer Survey” da Deloitte, estes líderes estão a tornar-se figuras-chave na transformação digital, assumindo maior responsabilidade na definição de estratégias de dados e IA e na criação de valor de longo prazo.

A pesquisa quantitativa do estudo foi realizada entre agosto e setembro de 2025, através de um inquérito online a 100 executivos C-level de empresas com receitas superiores a mil milhões de dólares, incluindo cargos como CDAO, CDO e CAIO. Os participantes representavam mais de 20 setores de atividade, tendo sido posteriormente realizadas entrevistas aprofundadas em outubro de 2025 para complementar os resultados do estudo.

O estudo revela que 94% dos CDAO entrevistados acreditam que a sua influência nas organizações vai aumentar nos próximos 12 meses, enquanto 78% afirmam que a adoção de IA já reforçou o seu peso nas decisões estratégicas. Além disso, 63% dizem ser os principais responsáveis pelas decisões relacionadas com dados e analytics nas suas empresas.

Uma liderança eficaz em dados é um elemento fundamental para o sucesso da IA, e os CDAO estão cada vez mais no centro das iniciativas de inteligência artificial nas empresas”, afirma Ashish Verma, Chief Data and Analytics Officer da Deloitte. “Os CDAO modernos estão a assumir uma visão estratégica, a gerir equipas maiores e a transformar as estratégias de dados e IA, e a nossa investigação mostra que esperam que o seu papel continue a crescer à medida que as organizações dependem cada vez mais da sua experiência para gerar valor.”

O relatório destaca que as organizações estão a tratar os dados como o motor da adoção de IA. Cerca de 78% dos CDAO afirmam que as suas empresas estão atualmente a implementar iniciativas de modernização de dados, preparando a infraestrutura necessária para escalar projetos de inteligência artificial.

Entre os principais fatores para o sucesso da IA estão a melhoria da qualidade e acessibilidade dos dados, apontada por 61% dos responsáveis, seguida do desenvolvimento de competências em dados e IA (53%) e da colaboração entre equipas de dados e outras áreas do negócio (52%).

Apesar do entusiasmo em torno da tecnologia, os CDAO enfrentam uma forte pressão para demonstrar resultados concretos. Mais de metade dos inquiridos (56%) afirma sentir uma pressão intensa para provar o valor de negócio e o retorno do investimento das iniciativas de dados e inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, muitos líderes reconhecem que as organizações ainda não estão a tirar pleno partido do valor dos dados. Cerca de 95% dos CDAO consideram que as suas empresas não exploram totalmente o potencial da informação disponível, enquanto 91% defendem que as organizações deveriam fazer mais para aproveitar novos modelos, ferramentas e inovações em IA.

O estudo também aponta desafios estruturais, incluindo a escassez de talento especializado. Muitos líderes acreditam que as suas organizações dificultam a execução da estratégia de dados por falta de recursos para contratar e reter profissionais qualificados, enquanto 44% consideram que investir na requalificação e formação de colaboradores seria altamente benéfico.

Outro ponto de preocupação prende-se com a governação e a privacidade de dados: apenas 19% dos CDAO afirmam que as suas organizações possuem ferramentas robustas para garantir proteção de dados e mecanismos de controlo adequados.

Apesar destes desafios, os líderes de dados mostram-se confiantes quanto ao futuro do cargo. Mais de metade (56%) espera permanecer na função até ao final da carreira, enquanto apenas 9% planeia mudar de posição ou de área num futuro próximo.

Os CDAO reconhecem que o seu papel é mais importante do que nunca à medida que a adoção de IA aumenta, e muitos estão a responder a esse desafio”, conclui Verma. “As organizações que ainda não têm um CDAO devem considerar criar essa função, já que este momento de transformação tecnológica exige líderes capazes de ligar negócio, tecnologia e inovação e transformar projetos em valor sustentável.”

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