Das seis décadas de história da IA, três anos bastaram para mudar tudo. O passado, presente e futuro desta tecnologia estiveram no centro do keynote especial da IT Insight Talks a cargo de Pedro Martins, CEO e fundador da AI First Consulting, que avaliou o posicionamento europeu e identificou onde estão as oportunidades de negócio que a IA abre
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Na IT Insight Talks, Pedro Martins, CEO e fundador da AI First Consulting, analisou a evolução dos modelos de linguagem e a crescente disputa global pela liderança em Inteligência Artificial (IA), dando destaque para o impacto da tecnologia na soberania dos países e na sua posição competitiva. No Fórum Tecnológico Lispolis, em Lisboa, o evento reuniu responsáveis do setor tecnológico para debater inteligência artificial e dados, com o keynote “A curva da IA” a começar por revisitar o passado. Com cerca de seis décadas de história, a inteligência artificial passou por períodos de grande entusiasmo intercalados por fases de descrédito, os chamados “invernos da IA”. O ponto de viragem chegou em 2022, quando a adoção pública dos modelos de linguagem tornou a tecnologia acessível a todos e que qualquer um “pode experienciar e analisar o valor a retirar na utilização da ferramenta do ponto de vista pessoal”, sublinhou Pedro Martins. A partir daí, em três anos, uma indústria inteira reorganizou-se em torno dos LLM, com um impacto económico que o orador descreveu como “brutal”. Para o responsável, o foco deve estar “onde o impacto na margem pode ser mais elevado, porque, do ponto de vista económico, é aí que a IA pode fazer a diferença”. O CEO da AI First Consulting deu o exemplo de uma seguradora alemã que “poupou 400 milhões de euros ao automatizar um processo completo com recurso a agentes de IA”, um caso que, na sua perspetiva, demonstra que esta já é uma realidade do presente. IA no tabuleiro geopolíticoNo decorrer desta evolução, começa a dar-se conta que o argumento geopolítico ganhou peso. Como referiu, as decisões de governos que restringem o acesso de outros países a determinados modelos de IA são sinal de que esta tecnologia passou a ter implicações geopolíticas e estratégicas. “A IA não é só uma indústria que foi criada com uma evolução exponencial nos últimos três anos, mas é fator de competitividade de um país ou de uma região”, afirmou. Nesse campo, a Europa, na sua análise, possui um quadro regulatório que travou mais do que acelerou. “Sou bastante crítico àquilo que a Europa, infelizmente, fez com a regulação do AI Act, porque é muito complexo”, disse, ao acrescentar que o continente está agora a tentar recuperar terreno com investimentos em modelos open source, mas “já é tarde” para ambicionar a liderança. O novo modelo de produtividadeO futuro, na visão do fundador da AI First Consulting, organiza-se em torno da força de trabalho humana, dos agentes de IA, que tratam da componente de informação e de workflows completos, e a IA física, representada pela robótica. “A conjugação destas três é que vai ditar o futuro da produtividade e da produção, seja do ponto de vista pessoal ou empresarial”, defendeu. Na robótica, nomeadamente, Pedro Martins destacou o avanço acelerado dos últimos anos, com robôs já a operar em setores como a construção e a saúde, e referiu que a China está a liderar nesta área com vantagem sobre os Estados Unidos. O ponto de diferenciação dos humanos passa, de acordo com Pedro Martins “pela nossa capacidade de pensar, a capacidade estratégica, a criatividade, o leadership, a sensibilidade”, atributos que os sistemas automatizados ainda não dominam, embora considere que essa fronteira também se moverá. Mais do que adotar novas ferramentas, Pedro Martins defendeu que as organizações têm de repensar a forma como encaram a IA. “Esqueçam os processos antigos. Esta é uma nova forma de pensar. É preciso redesenhar a forma como encaramos a IA, não apenas enquanto ferramenta de informação, mas com a mentalidade de que esta é uma verdadeira força de trabalho”, alertou. |