Trabalho híbrido ultrapassa salário na corrida pelo talento tecnológico

O trabalho híbrido tornou-se a principal estratégia para atrair profissionais de tecnologia, ultrapassando os salários competitivos, segundo um estudo da IWG

Trabalho híbrido ultrapassa salário na corrida pelo talento tecnológico
Vasyl / AdobeStock

A flexibilidade laboral está a ganhar peso nas estratégias de recrutamento das empresas. Segundo um estudo da International Workplace Group (IWG), o trabalho híbrido tornou-se o principal fator utilizado pelas organizações para atrair profissionais de tecnologia, ultrapassando, pela primeira vez, a oferta de salários competitivos.

O estudo revela que 72% dos líderes empresariais inquiridos consideram que disponibilizar modelos de trabalho híbrido ou flexível é essencial para captar talento tecnológico. Entre os líderes da Geração Z e os millennials, esta perceção é ainda mais forte, atingindo 80% e 79%, respetivamente.

De acordo com a IWG, 37% das empresas apontam atualmente o trabalho híbrido como a principal estratégia para competir pelo melhor talento tecnológico, acima dos 35% que continuam a privilegiar a remuneração. Além disso, 78% dos responsáveis acreditam que as organizações com modelos de trabalho híbrido dispõem de uma vantagem competitiva na atração de profissionais.

Flexibilidade pesa mais na retenção

O estudo indica também que a flexibilidade é determinante para reter profissionais. Cerca de 68% dos líderes empresariais reconhecem que salários competitivos, por si só, já não chegam para manter os melhores especialistas em tecnologia.

Entre os profissionais de tecnologia com menos de 30 anos, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e a flexibilidade são considerados o elemento mais importante da cultura organizacional (42%), superando a compensação financeira (30%).

A IWG relaciona esta tendência com uma mudança nas expectativas das gerações mais jovens, que valorizam maior autonomia, oportunidades de desenvolvimento e modelos de trabalho menos rígidos.

Competências em IA ganham peso

A investigação mostra igualmente que as competências em inteligência artificial, análise de dados e programação estão a tornar-se decisivas na progressão para cargos de liderança.

Segundo o estudo, 83% dos líderes empresariais consideram que estas competências são fundamentais para a evolução profissional, enquanto 22% afirmam valorizá-las mais do que os diplomas universitários tradicionais.

A procura por este perfil continua a intensificar-se. Cerca de 67% dos inquiridos admitem que a competição por talento tecnológico nunca foi tão elevada e 50% dizem enfrentar dificuldades em encontrar candidatos com as competências necessárias.

Escassez também se faz sentir em Portugal

O relatório enquadra esta realidade com dados do mercado português. Segundo o estudo Global Talent Shortage Survey 2025, da ManpowerGroup, 84% dos empregadores em Portugal têm dificuldades em recrutar os profissionais de que necessitam, colocando o país entre os mercados mais afetados pela escassez de competências.

Ao mesmo tempo, dados da ANACOM mostram que apenas cerca de 30% das empresas portuguesas com dez ou mais trabalhadores apresentam um nível elevado de intensidade digital, evidenciando a necessidade de reforçar as competências tecnológicas nas organizações.

Para Mark Dixon, fundador e executive chairman da IWG, as empresas que não integrarem modelos de trabalho híbrido na sua cultura correm o risco de perder competitividade na atração de profissionais especializados.

O estudo conclui ainda que 59% dos líderes pretendem reforçar as equipas de liderança com profissionais de tecnologia ao longo deste ano, enquanto 23% afirmam estar a promover especialistas com menos de 30 anos para funções de liderança mais cedo do que acontecia nos percursos profissionais tradicionais.

Tags

NOTÍCIAS RELACIONADAS

RECOMENDADO PELOS LEITORES

REVISTA DIGITAL

IT INSIGHT Nº 62 JULHO 2026

IT INSIGHT Nº 62 JULHO 2026

NEWSLETTER

Receba todas as novidades na sua caixa de correio!

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.