A substituição de funções de entrada por IA pode comprometer o desenvolvimento de futuros líderes e agravar as desigualdades no acesso ao emprego, alertam especialistas de diferentes organizações
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A crescente adoção da Inteligência Artificial (IA) nas empresas está a transformar as funções desempenhadas por profissionais em início de carreira, o que levanta preocupações sobre o impacto da automação no desenvolvimento de talento e na renovação das organizações, de acordo com o Word Economic Forum. Segundo o estudo, que contempla dados citados pelos especialistas, 37% dos jovens trabalhadores em todo o mundo desempenham funções com um nível médio ou elevado de exposição à automatização por IA. Paralelamente, 28% dos profissionais em início de carreira acreditam que metade, ou menos, das competências que possuem atualmente continuará a ser relevante dentro de três anos. Para Angie Kamath, Dean da NYU School of Professional Studies, eliminar de forma excessiva as funções de entrada poderá comprometer a capacidade das organizações para formar futuros gestores e líderes. A responsável considera que estas posições continuam a ser fundamentais para desenvolver pensamento crítico, comunicação, liderança e capacidade de decisão, competências que resultam da experiência prática e não apenas da utilização de ferramentas de IA. Uma preocupação semelhante é partilhada por Hannah Calhoon, Vice President of AI da Indeed. Segundo a responsável, os anúncios para funções de entrada diminuíram 7% em 2025, enquanto as ofertas para posições sénior cresceram 4%, sinalizando um possível enfraquecimento da base de recrutamento das organizações. Na sua perspetiva, as empresas devem utilizar a IA para apoiar o desenvolvimento dos profissionais mais jovens e não para substituir completamente as tarefas que lhes permitem adquirir experiência. Também Takuya Kodama, Chief AI Master da dentsu, defende que as funções de entrada representam um investimento estratégico e não apenas um custo operacional. Para o responsável, eliminar estes percursos poderá limitar a renovação das competências e da criatividade dentro das organizações, sobretudo em áreas onde a colaboração entre diferentes gerações é determinante. Na mesma linha, Myriam Beatove, Chief Human Resources Officer da Randstad, considera que o principal risco reside no enfraquecimento da capacidade das empresas para desenvolver futuros especialistas e líderes. A responsável defende que a estratégia passa por redesenhar estas funções, automatizando tarefas repetitivas, mas reforçando o desenvolvimento de competências como pensamento crítico, resolução de problemas, adaptabilidade, colaboração e aprendizagem contínua. Apesar das diferenças de perspetiva, os especialistas verificam que a IA deve transformar as funções de entrada no mercado de trabalho, mas a sua utilização não deve eliminar os percursos que permitem aos profissionais adquirir experiência e evoluir para funções de maior responsabilidade. |