A procura por engenheiros continua a crescer mais depressa do que a capacidade de formar talento, num contexto em que 73% dos empregadores têm dificuldade em recrutar profissionais qualificados
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A crescente digitalização da economia, a expansão das infraestruturas, a eletrificação e o aumento da complexidade dos projetos estão a acelerar a procura por engenheiros, mas a oferta de talento qualificado continua sem acompanhar esse ritmo, de acordo com o estudo Tendências do Mundo do Trabalho – Engenharia, do ManpowerGroup, que revela que 73% dos empregadores enfrentam dificuldades em recrutar profissionais especializados. O estudo conclui que a escassez de talento resulta da conjugação de vários fatores, entre os quais encontra-se o envelhecimento da força de trabalho, a aceleração tecnológica e a crescente complexidade dos projetos. A situação afeta particularmente setores como energia, infraestruturas, semicondutores, data centers, defesa e tecnologia, onde a disponibilidade de profissionais especializados é considerada crítica. “A engenharia vive hoje um paradoxo sem precedentes: nunca houve tanto investimento em tecnologia, nem tanta necessidade de talento qualificado para a fazer avançar. A escassez de engenheiros já não resulta apenas de um défice de formação, mas de uma combinação de desafios composta pelo envelhecimento da força de trabalho, pela aceleração tecnológica e pela crescente complexidade dos projetos”, afirma Rui Teixeira, Brand Leader do ManpowerGroup Portugal. O responsável considera que as organizações vão ter de colocar o desenvolvimento contínuo e a requalificação no centro das suas estratégias de talento. “Num contexto em que a procura por competências cresce mais depressa do que a capacidade de as formar, as organizações que não colocarem o desenvolvimento contínuo, a requalificação e a mobilidade global do talento no centro da sua estratégia vão enfrentar limitações reais à sua capacidade de execução e inovação”, acrescenta. O estudo destaca ainda que nove em cada dez empregadores afirmam que a reforma de profissionais seniores já está a afetar diretamente a gestão de talento, o que aumenta o risco de perda de conhecimento crítico e dificulta a transferência de competências para as novas gerações. A transformação digital e a adoção de Inteligência Artificial (IA) estão igualmente a intensificar a procura por engenheiros. O crescimento dos data centers, impulsionado pelas necessidades de processamento da IA, e a expansão da procura mundial de energia exigem profissionais capazes de conceber, implementar e manter infraestruturas cada vez mais complexas. A par disso, o mercado global dos semicondutores deve vir a duplicar praticamente até ao final da década, o que reforça a necessidade de mão de obra altamente especializada. A IA está também a alterar a natureza do trabalho de engenharia. Embora automatize tarefas técnicas e repetitivas, o estudo conclui que aumenta a importância de competências como gestão de projetos, criatividade e pensamento estratégico. Ainda assim, cerca de três em cada quatro profissionais alertam para o risco de erosão de competências devido à dependência excessiva destas ferramentas. Além disso, 29% dos empregadores a nível global e 11% em Portugal consideram que as suas equipas ainda não dispõem das competências necessárias para utilizar a IA de forma eficaz. Perante este cenário, o ManpowerGroup defende que as organizações devem diversificar as estratégias de recrutamento, investir em programas de upskilling e reskilling, reforçar a colaboração com universidades e entidades formativas e criar mecanismos formais de mentoria para assegurar a transferência de conhecimento entre gerações. Para a consultora, a capacidade de desenvolver e reter talento especializado será determinante para sustentar a inovação e responder às necessidades da economia nos próximos anos. O estudo foi desenvolvido pelo Work Intelligence Lab do ManpowerGroup e cruza dados de vários estudos do ManpowerGroup com informação de entidades internacionais, como a IEA, Bloomberg, McKinsey, PwC, BCG e Talent Neuron. |