Portugal integra os 18 países que participam no concurso europeu para criar até sete AI Gigafactories, numa altura em que o crescimento dos data centers está a impulsionar a procura de energia no país
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A Comissão Europeia lançou o concurso para a criação de até sete AI Gigafactories na União Europeia, uma iniciativa destinada a reforçar a capacidade europeia de computação para Inteligência Artificial (IA) e que deverá mobilizar mais de 30 mil milhões de euros em investimento público e privado. O programa será financiado com até 10 mil milhões de euros provenientes da União Europeia e dos Estados-membros, valor que Bruxelas espera utilizar como alavanca para atrair, pelo menos, 20 mil milhões de euros de investimento privado. As novas infraestruturas vão disponibilizar capacidade de computação para treino, inferência e otimização de modelos avançados de IA, destinada a startups, scaleups, PME, indústria, instituições académicas e administrações públicas. Portugal integra grupo de países participantesO projeto será coordenado pela EuroHPC Joint Undertaking (EuroHPC JU) e conta, nesta fase, com a participação de 18 Estados-membros, entre os quais Portugal. O concurso prevê duas fases de desenvolvimento e dois lotes distintos. O primeiro poderá financiar até quatro projetos, com um apoio europeu de até 500 milhões de euros por gigafábrica, enquanto o segundo contempla até três projetos que poderão receber até mil milhões de euros cada, considerando ambas as fases de financiamento. As AI Gigafactories deverão combinar processadores de última geração, plataformas de software e cloud, redes de elevada velocidade e data centers energeticamente eficientes, funcionando em articulação com a rede europeia de 19 AI Factories já em desenvolvimento. Segundo a Comissão Europeia, o objetivo é garantir que a Europa dispõe de infraestrutura própria para desenvolver modelos avançados de IA em conformidade com as regras europeias em matéria de proteção de dados, segurança e ética. Decisão em 2027O concurso para as AI Gigafactories permanece aberto até 12 de novembro de 2026. Após a avaliação das candidaturas pela EuroHPC JU, a Comissão Europeia prevê anunciar os projetos selecionados no início de 2027, permitindo que a construção tenha início ainda durante esse ano. As primeiras infraestruturas deverão entrar em funcionamento no prazo máximo de 18 meses após a assinatura dos contratos. Para Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, o acesso a capacidade de computação de grande escala é uma condição estratégica para a competitividade europeia na IA e um elemento central da ambição de transformar a Europa no chamado “Continente da IA”. Procura de energia em Portugal aumentaO anúncio surge numa altura em que Portugal reforça a sua posição como destino para grandes investimentos em infraestrutura digital. Em declarações à Reuters, o CEO da EDP, Miguel Stilwell d'Andrade, afirmou que a procura de eletricidade em Portugal deverá crescer 4,5% ao ano entre 2026 e 2035, uma das taxas mais elevadas da Europa, sendo que cerca de 60% desse aumento será impulsionado pelo desenvolvimento de centros de dados. O responsável considera que Portugal está a afirmar-se como um hub europeu para centros de dados hyperscale, beneficiando da disponibilidade de eletricidade renovável a preços competitivos e da rede de cabos submarinos transatlânticos que liga a Europa às Américas e a África. Segundo a EDP, o país representa uma oportunidade de crescimento nas áreas das redes elétricas, comercialização de energia, produção renovável e soluções integradas para grandes clientes. Atualmente, Portugal tem mais de 2,6 GW de capacidade de centros de dados em desenvolvimento, incluindo o projeto Start Campus, em Sines, apoiado por investimentos da Microsoft em infraestrutura para IA. |