A disseminação da inteligência artificial está a levar as empresas a repensar a liderança tecnológica, com maior foco na autonomia das equipas, governação e avaliação de competências
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A maior facilidade de acesso a ferramentas de Inteligência Artificial (IA) está a permitir que profissionais fora das áreas tecnológicas realizem tarefas anteriormente dependentes de competências especializadas. Para a Zühlke, esta evolução está a alterar não apenas a forma como a tecnologia é utilizada nas empresas, mas também o papel das equipas de IT e dos responsáveis tecnológicos. A consultora identifica três tendências associadas a esta transformação, desde a democratização da criação tecnológica, a passagem das equipas de IT de uma função de controlo para uma de capacitação e uma maior valorização da capacidade de utilizar criticamente a IA na avaliação de competências profissionais. “À medida que a IA torna a criação de tecnologia mais acessível, o desafio para as organizações consiste em encontrar o equilíbrio certo entre liberdade e responsabilidade”, afirma Gavin Rotach, Head of Group IT da Zühlke. O responsável defende que as empresas devem permitir a experimentação, mantendo simultaneamente mecanismos adequados de governação, segurança e proteção de dados. Uma das mudanças apontadas pela consultora resulta da possibilidade de profissionais de diferentes departamentos participarem em processos que estavam tradicionalmente concentrados nas equipas de desenvolvimento de software. A maior acessibilidade das ferramentas de IA reduz esta dependência e permite que outras áreas testem e desenvolvam soluções para as suas próprias necessidades. Esta evolução está também a modificar as responsabilidades das equipas de IT, já que em vez de determinarem exclusivamente quais as tecnologias que podem ser utilizadas e de que forma, passam a ter um papel mais centrado na criação das condições necessárias para que outros departamentos possam experimentar e inovar de forma controlada. Segundo o responsável, “o papel das IT está, por isso, a evoluir para garantir que existem as condições certas para que a inovação ocorra de forma segura e responsável”. A Zühlke considera que esta mudança aumenta também a importância da capacidade de adaptação e da formação contínua, num momento em que a rapidez da evolução da IA dificulta antecipar quais serão as competências técnicas mais relevantes nos próximos anos. A terceira tendência identificada está relacionada com a forma como as empresas avaliam competências, incluindo durante o recrutamento. A consultora considera que a capacidade de utilizar IA não deve ser avaliada apenas pelo domínio das ferramentas, mas também pela capacidade de decidir quando recorrer à tecnologia, analisar criticamente os resultados e reconhecer situações em que o conhecimento e o julgamento humanos continuam a ser necessários. Neste contexto, pedir a um candidato que realize uma tarefa sem IA pode ajudar a avaliar determinados conhecimentos, mas não demonstra necessariamente como essa pessoa utilizará ferramentas que poderão tornar o trabalho mais rápido ou rigoroso. Para a Zühlke, a expansão da IA dentro das organizações está, assim, a aproximar áreas que anteriormente podiam ser tratadas separadamente, como liderança tecnológica, governação, cibersegurança e desenvolvimento de competências. O desafio passa por permitir maior autonomia na utilização da tecnologia sem perder os mecanismos de controlo necessários para gerir os riscos associados. |