IT lidera preparação, mas burnout atinge 70%

Os profissionais de tecnologias de informação estão entre os mais preparados para o futuro do trabalho, mas 70% sentem ou sentiram recentemente burnout, revela o ManpowerGroup

IT lidera preparação, mas burnout atinge 70%
Vhagar / AdobeStock

Os profissionais de Tecnologias de Informação (IT) destacam-se pela confiança nas suas competências, empregabilidade e preparação para a transformação tecnológica, mas apresentam simultaneamente elevados níveis de stress e burnout e uma menor intenção de permanecer nas atuais empresas. As conclusões são do “Global Talent Barometer 2026”, do ManpowerGroup, realizado junto de 13.918 trabalhadores em 19 países.

O índice de confiança dos profissionais de IT atinge 84%, mantendo-se estável face a 2025. Cerca de 91% dizem confiar nas competências necessárias para desempenhar a atual função e 85% consideram ter oportunidades para desenvolver novas competências e adquirir experiência para atingir os seus objetivos profissionais, o valor mais elevado entre os setores analisados.

A preparação tecnológica também permanece acima da média. 83% dos profissionais de IT dizem confiar nas suas competências tecnológicas e na capacidade de utilizar tecnologia no trabalho, 11 pontos percentuais acima da média global. Contudo, este indicador caiu cinco pontos face ao ano anterior, num sinal do impacto provocado pela rápida evolução tecnológica e da Inteligência Artificial (IA).

Esta confiança contrasta com os indicadores de desgaste. O índice de bem-estar do IT situa-se nos 72%, mas 53% dos profissionais reportam níveis elevados de stress no dia a dia. O setor é o segundo mais pressionado, apenas atrás de Energia & Utilities.

O burnout atinge 70% dos trabalhadores, a percentagem mais elevada entre todos os setores estudados. As principais causas apontadas são o stress elevado, referido por 29%, a carga de trabalho e os prazos apertados ou irrealistas, com 28%, e as longas horas de trabalho, mencionadas por 24%.

Os resultados revelam também um risco para a retenção de talento. Apesar de 78% confiarem no manager e considerarem que este se preocupa com os seus interesses de carreira, apenas 44% estão satisfeitos com o emprego e não planeiam mudar de empresa nos seis meses seguintes. Em paralelo, 72% acreditam que conseguiriam encontrar outro emprego nesse período, dez pontos acima da média.

Há ainda sinais contraditórios sobre a segurança do emprego: 40% afirmam não estar confiantes na manutenção do atual posto de trabalho nos próximos seis meses. Ao mesmo tempo, 75% consideram existir oportunidades de promoção e mobilidade dentro da organização, 13 pontos acima da média global.

Para Nuno Ferro, Brand Leader Experis, a confiança na tecnologia e na IA deixou de ser suficiente para fidelizar talento. O responsável defende que as lideranças devem equilibrar os objetivos de negócio com a pressão colocada sobre as equipas, atuando sobre cargas e horários de trabalho e outros fatores de desgaste.

Perante os resultados, o ManpowerGroup aponta para a necessidade de as empresas criarem experiências de trabalho mais sustentáveis, controlarem o stress e as cargas de trabalho e conjugarem aprendizagem contínua com melhores modelos de liderança, desenvolvimento de carreira e bem-estar. Caso contrário, a elevada empregabilidade destes profissionais poderá dificultar a retenção de competências críticas e afetar a continuidade dos projetos e a produtividade das equipas.

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