Estudo da Experis revela que, apesar do otimismo quanto ao desempenho profissional, persistem lacunas na literacia em IA
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A confiança dos profissionais face ao impacto da Inteligência Artificial (IA) no trabalho permanece elevada, mas a falta de competências específicas continua a ser um fator de risco. De acordo com o estudo "Global Insights Whitepaper: Construir e sustentar uma carreira significativa na era da IA", da Experis, 89% dos trabalhadores afirmam ter uma confiança moderada ou elevada na sua capacidade de desempenhar funções num contexto cada vez mais digitalizado. Paralelamente, 78% consideram dispor das ferramentas tecnológicas adequadas para executar o seu trabalho de forma eficaz. Apesar deste cenário positivo, começam a surgir sinais de apreensão, sobretudo entre profissionais com níveis reduzidos de literacia em IA. O estudo, que cita investigação da SAP SuccessFactors, indica que trabalhadores menos familiarizados com esta tecnologia são seis vezes mais propensos a sentir receio relativamente à sua aplicação no contexto profissional, sete vezes mais reticentes em utilizá-la nas suas funções e oito vezes mais desconfortáveis com a sua adoção. Para Nuno Ferro, Brand Leader da Experis, o momento atual deve ser encarado como uma janela estratégica de adaptação. “Embora prevaleça entre os trabalhadores um sentimento de confiança nas próprias competências, começam a surgir focos de preocupação quanto ao uso da IA. Face a esses receios, o estudo aponta dois fatores tranquilizadores, a que profissionais e empresas devem estar atentos: por um lado, a constatação de que as empresas ainda estão a fazer o caminho da adoção da IA, o que oferece aos trabalhadores tempo valioso para se adaptarem e capacitarem. Por outro, a importância das soft skills como verdadeiro fator diferenciador na criação de valor”, afirma. E acrescenta: “A preparação dos profissionais para utilizarem a IA de forma estratégica, ética e eficaz, investindo em literacia de IA é por isso fundamental, se as empresas que quiserem garantir impacto real no negócio”. Do lado das organizações, a adoção da IA avança, mas com prudência. O relatório indica que 36% dos líderes tecnológicos inquiridos encaram a IA como um fator disruptivo ainda em fase de maturação, enquanto 33% consideram que o seu impacto no negócio permanece pouco claro. Esta perceção traduz-se numa abordagem cautelosa, que reforça a ideia de que o desafio atual não é substituir talento humano, mas potenciar a colaboração entre pessoas e sistemas inteligentes. Um em cada três empregadores inquiridps acredita, aliás, que a IA não substitui competências humanas críticas. Áreas como julgamento ético (40%), gestão de equipas (35%), resolução de problemas (26%), formação (23%), atendimento ao cliente (22%), criatividade (22%) e comunicação (22%) continuam a ser vistas como diferenciadoras e difíceis de automatizar. O estudo conclui que a IA deve ser integrada como complemento e não como substituto do trabalho humano. A oportunidade reside no redesenho de funções, na experimentação através de projetos-piloto e na utilização estratégica da tecnologia para ganhos de produtividade, mantendo sempre supervisão e responsabilidade humanas. O estudo tem por base outros dois estudos - o ManpowerGroup Employment Outlook Survey, referente ao segundo trimestre de 2025, que conta com uma amostra de 525 empresas portuguesas; e o Experis CIO Outlook, que dispõe de uma amostra de 1393 líderes tecnológicos globais. |