Um novo relatório global da NTT Data revela que apenas uma minoria de empresas consegue transformar a inteligência artificial em valor económico real, mas aquelas que o fazem destacam-se claramente em crescimento de receitas e rentabilidade
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A NTT Data apresentou o Global AI Report 2026: um guia estratégico para líderes em IA, um estudo que analisa de que forma as organizações mais avançadas estão a conseguir passar dos projetos-piloto para resultados financeiros concretos. A análise assenta num inquérito realizado entre setembro e outubro de 2025 a 2.567 executivos de topo, em 35 países e 15 setores de atividade, incluindo perfis de C-suite e quadros seniores. Os dados mostram que apenas 15% das organizações inquiridas cumprem os critérios para serem consideradas “líderes em Inteligência Artificial (IA)”, uma categoria definida pela existência de estratégias claras, modelos operacionais maduros e execução consistente. Estas empresas têm 2,5 vezes mais probabilidade de registar um crescimento de receitas superior a 10% e uma probabilidade três vezes maior de alcançar margens de lucro iguais ou superiores a 15% com iniciativas de inteligência artificial. “A responsabilidade sobre a IA deve agora ser assumida ao mais alto nível e integrar a agenda estratégica de toda a organização”, afirma Yutaka Sasaki, presidente e CEO do NTT Data Group. “A nossa análise demonstra que um grupo restrito de líderes já está a utilizar a IA para se diferenciar, crescer e reinventar a forma como humanos e máquinas geram valor em conjunto”, reforça. Segundo o relatório, a principal diferença entre estas organizações e o restante mercado está na forma como encaram a IA, não como uma iniciativa tecnológica isolada, mas como um motor central de crescimento. Os líderes integram a IA de forma transversal na estratégia empresarial e concentram-se em poucos domínios com elevado potencial económico, redesenhando processos de ponta a ponta em vez de adotarem soluções superficiais. O estudo identifica ainda um “efeito de círculo virtuoso”, em que investimentos iniciais bem-sucedidos geram resultados rápidos que, por sua vez, sustentam novos investimentos e aceleram o crescimento. Em paralelo, estas empresas estão a reconstruir aplicações críticas com IA integrada, evitando camadas adicionais que limitam o impacto real da tecnologia. Ao nível da execução, os líderes em IA distinguem-se por investir em fundações tecnológicas resilientes, capacitar as suas equipas e implementar modelos de governação claros. A inteligência artificial é usada para amplificar o impacto dos colaboradores mais experientes, e não para os substituir, sendo a gestão da mudança um fator crítico para ultrapassar resistências internas. A centralização da governação da IA e a atribuição de responsabilidades formais aos Chief AI Officers (CAIO) surgem como práticas comuns, permitindo alinhar inovação, mitigação de riscos e objetivos de negócio. O recurso a parcerias estratégicas externas é igualmente apontado como decisivo para acelerar a criação de valor. “Quando existe um alinhamento entre a estratégia empresarial e a de IA, a ação mais eficaz consiste em selecionar um ou dois domínios com elevado potencial de valor e redesenhá-los integralmente com IA”, refere Abhijit Dubey, CEO e CAIO da NTT Data, Inc. “Sustentar esta abordagem com governação forte, infraestruturas modernas e parceiros de confiança é o que está a permitir aos líderes transformar projetos-piloto em lucros”, aponta. Em Portugal, Tiago Barroso, Country General Manager da NTT Data, sublinha que “a verdadeira diferenciação não reside apenas na adoção de IA, mas em fazê-lo com visão, foco e disciplina de execução”, acrescentando que as organizações que tratam a IA como uma prioridade estratégica são as que estão a transformar inovação em resultados concretos e sustentáveis. |