Os diretores financeiros vão reforçar investimento em tecnologia, vendas e IA em 2026. Dados da Gartner indicam menor crescimento de headcount e contenção nos orçamentos de Recursos Humanos
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Os diretores financeiros (CFO) estão a redefinir as prioridades orçamentais para 2026, com um foco claro em funções orientadas para o crescimento, tecnologia e Inteligência Artificial (IA), segundo um estudo da Gartner. A análise baseia-se num inquérito realizado em outubro de 2025 a mais de 300 CFO e responsáveis financeiros. De acordo com a Gartner, as áreas de vendas e Tecnologias de Informação deverão registar os maiores aumentos orçamentais em 2026. Mais de metade dos CFO inquiridos planeia reforçar o investimento nestas funções, sendo que 28% antecipa crescimentos de dois dígitos em ambos os casos. O marketing surge logo a seguir, refletindo o papel destas áreas como motores de crescimento. Na vertente tecnológica, os aumentos de orçamento são justificados por fatores estruturais, como a subida dos custos de Software as a Service (SaaS), a expansão de processos digitais e o crescimento das despesas associadas à adoção de IA. Segundo Nauman Abbasi, vice president analyst da Gartner Finance, a tecnologia continua a afirmar-se como a base da transformação digital e da resiliência operacional. Em contraste, os recursos humanos enfrentam o maior recuo orçamental. Apenas 29% dos CFO inquiridos no estudo prevê aumentos nesta área, enquanto 22% antecipa cortes, fazendo descer o crescimento médio do orçamento de RH de 2,4% em 2025 para 0,7% em 2026. Esta evolução é atribuída à redução do ritmo de contratações e aos ganhos de eficiência proporcionados pela automação e pela IA. 75% dos CFO que participaram no estudo planeia aumentar o orçamento de tecnologia em 2026, com 48% a apontar para subidas iguais ou superiores a 10%. O crescimento médio ronda os 10% em todos os setores, variando entre cerca de 15% nos serviços financeiros e 6% na indústria transformadora. Ao mesmo tempo, observa-se uma desaceleração contínua nos aumentos salariais, que passaram de 6,1% em 2024 para 5,4% em 2025, devendo cair para 4,5% em 2026. Mais acentuada é a redução das expectativas de crescimento do headcount, que desce de 6% em 2025 para apenas 2% em 2026, com apenas 21% dos CFO a planear aumentos significativos de pessoal. No domínio financeiro, a adoção de IA está a transitar de projetos-piloto para uma fase de escala. Cerca de 60% dos CFO planeia aumentar o investimento em IA na função financeira em 10% ou mais em 2026, enquanto 24% prevê aumentos entre 4% e 9%. A produtividade das equipas surge como a principal prioridade, impulsionando a automação, a redução de ciclos e o controlo de custos. Apesar de a maioria das organizações ainda alocar apenas entre 1% e 5% do orçamento tecnológico da área financeira à IA, a Gartner aponta para uma confiança crescente, sustentada por resultados iniciais positivos em automação e forecasting. Segundo a consultora, a IA está a afirmar-se como uma capacidade central nas organizações, com impacto crescente na tomada de decisão e na eficiência operacional. |