CIO entram em 2026 focados em escalar a IA com impacto real no negócio

De um exercício de experimentação, a inteligência artificial tornou-se um motor central de crescimento, eficiência e competitividade nas organizações da região EMEA, segundo uma investigação levada a cabo pela IDC, apresentada num evento promovido pela Lenovo, que traça as prioridades dos CIO para 2026

CIO entram em 2026 focados em escalar a IA com impacto real no negócio

Quase 60% das empresas na região EMEA já estão a pilotar ou a adotar a Inteligência Artificial (IA) de forma sistemática, com expectativas claras de retorno e uma pressão crescente para levar os projetos à produção. Os dados do CIO Playbook 2026: The Race for Enterprise AI, realizado pela IDC, encomendado pela Lenovo, mostram um mercado mais maduro, onde a discussão já não gira em torno do “se”, mas do “como” escalar a IA de forma segura, governada e alinhada com os resultados de negócio.

Ao apresentar as conclusões deste estudo - baseado em respostas de 3.120 decisores de IT e negócio da Europa, Ásia-Pacífico, Médio Oriente e Norte de África, América Latina e América do Norte, recolhidas entre setembro e outubro de 2025 -, Ewa Zborowska, Research Director de IA da IDC para a Europa, sublinhou que a IA passou a ser encarada como “um importante facilitador que ajuda a mudar os negócios, a transformar a forma como operam e a impulsionar o crescimento e a vantagem competitiva”. Segundo a responsável, em 2026 a principal prioridade empresarial será a inovação e a reinvenção dos negócios com recurso à IA, seguida do aumento de receitas e lucros, da melhoria da experiência do cliente e do reforço da produtividade dos colaboradores.

 

IA expande-se para além das áreas de IT

A adoção continua a concentrar-se em áreas tradicionalmente ligadas às IT, como a cibersegurança, o desenvolvimento de software e a análise de dados, mas a investigação mostra que a IA está a expandir-se para funções como operações, I&D, marketing, serviço ao cliente e áreas administrativas. Este movimento é acompanhado por uma expectativa elevada de retorno, com 94% das organizações a anteciparem um ROI positivo das suas iniciativas de IA. Ainda assim, Ewa Zborowska destacou que os benefícios não financeiros ganham peso crescente, nomeadamente o engagement dos colaboradores, a satisfação com as ferramentas disponíveis e a melhoria na qualidade das decisões internas.

A IDC aponta que 82% das empresas planeiam executar cargas de trabalho de IA em ambientes híbridos, locais ou na edge. Para Ewa Zborowska, uma abordagem exclusivamente assente na cloud pública deixa de ser suficiente quando a IA entra em produção, já que as organizações procuram maior controlo, segurança dos dados e proximidade entre os modelos e os locais onde a informação é gerada. A responsável afirmou que “a cloud apenas não é necessariamente o caminho certo” e que as soluções híbridas estão a tornar-se o modelo dominante para a IA empresarial.

 

Falta de governação trava adoção de IA

Os dados mostram que as empresas já estão a investir de forma significativa em IA com agência e planeiam reforçar esse investimento nos próximos doze meses, à medida que procuram transformar tecnologia em automação efetiva de processos de negócio completos. No entanto, Ewa Zborowska alertou que este passo exige maturidade organizacional, processos bem mapeados e uma reflexão profunda sobre a forma como os agentes são geridos, supervisionados e integrados no trabalho humano.

A investigação indica que cerca de metade das organizações ainda não dispõe de políticas completas de governação, risco e conformidade específicas para IA, admitindo que os mecanismos tradicionais de governação de dados são insuficientes. A ausência de uma abordagem estruturada é vista como um entrave à confiança, à segurança dos dados e à mitigação do risco de IA paralela.

Do ponto de vista dos CIO, a IDC conclui que o papel do responsável de IT está a evoluir rapidamente. A IA obriga o CIO a assumir-se como parceiro de negócio, com responsabilidade partilhada nos resultados, nos orçamentos e nos KPI. Implica também repensar a infraestrutura, garantir competências internas, gerir a introdução de agentes e assegurar que a governação acompanha cada fase da adoção.

 “A IA chegou a um ponto de viragem. Já não é impulsionada por projetos-piloto e experimentação, mas sim por necessidades reais de negócio, KPI e resultados mensuráveis”, disse Mauro Arruda, Director de AI Solutions & Services EMEA da Lenovo, que reforçou que a tecnologia deve estar integrada em todos os fluxos de trabalho e ser utilizada de forma transversal. Na perspetiva da Lenovo, uma implementação bem-sucedida depende de um ecossistema de Parceiros, já que não acreditam que “exista uma única empresa capaz de fornecer todas as peças do puzzle”“A gestão da mudança para garantir que a IA é adotada de forma responsável e sustentável é um fator-chave para o sucesso”, acrescentou. 

 

IA entre autonomia e controlo

Durante o debate, Simone Larsson, responsável pela área de IA empresarial da Lenovo na EMEA, reforçou que a adoção do modelo híbrido resulta da transição das organizações do MVP para o escalonamento. De acordo com a responsável, levar a IA para junto dos dados, seja na edge, no data center ou na cloud, permite gerir melhor o risco, o desempenho, os custos e os requisitos de soberania e conformidade regulatória. Pensar apenas em cloud, alertou, pode limitar a agilidade e comprometer os objetivos estratégicos associados à IA.

A discussão em torno da IA com agência voltou a evidenciar a importância do equilíbrio entre autonomia e supervisão humana. Para Simone Larsson, as organizações mais bem-sucedidas começam por casos de uso bem definidos, avançam de forma interativa e só escalam quando os processos estão maduros e as equipas preparadas. Dados de qualidade, controlos de segurança robustos e competências internas são apontados como pré-requisitos para que os agentes possam ser considerados fiáveis à escala.

 

Em fase de execução

Num contexto geopolítico mais fragmentado, as empresas procuram cada vez mais soluções que lhes permitam processar e armazenar dados no país ou na região onde operam. Ao mesmo tempo, os especialistas alertaram que a cautela não pode ser dissociada da colaboração com os colaboradores, sob pena de incentivar práticas de uso não autorizado de IA.

A percentagem de provas de conceito que chega à produção aproxima-se atualmente de quase metade, face a cerca de 10% há um ano, sinal de maior maturidade do mercado. Para a IDC, este dado confirma que a IA empresarial está a passar da experimentação para a execução, num percurso que exige fundamentos sólidos, governação rigorosa e uma ligação cada vez mais direta entre tecnologia e criação de valor para o negócio.

Tags

NOTÍCIAS RELACIONADAS

RECOMENDADO PELOS LEITORES

REVISTA DIGITAL

IT INSIGHT Nº 59 Janeiro 2026

IT INSIGHT Nº 59 Janeiro 2026

NEWSLETTER

Receba todas as novidades na sua caixa de correio!

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.