Baixo crescimento económico volta a liderar riscos globais no final de 2025

Inquérito da Gartner a 367 executivos sénior de risco coloca as preocupações económicas e os riscos associados à adoção acelerada de IA entre as cinco principais ameaças emergentes no quarto trimestre de 2025

Baixo crescimento económico volta a liderar riscos globais no final de 2025

O ambiente económico de baixo crescimento, marcado por tensões comerciais globais e maior volatilidade nos mercados financeiros, voltou a destacar-se como o principal risco emergente no quarto trimestre de 2025. A conclusão resulta do mais recente “Gartner Quarterly Emerging Risk Report”, que recolhe as perspetivas de líderes de gestão de risco empresarial (ERM), profissionais de risco, auditores e executivos seniores sobre ameaças emergentes e riscos de médio e longo prazo.

O estudo, realizado junto de 367 executivos sénior de risco e assurance no último trimestre de 2025, confirma que a instabilidade financeira, as preocupações comerciais, o desemprego elevado e a inflação continuam a dominar a agenda dos responsáveis pela gestão de risco, tal como já tinha acontecido no terceiro trimestre do ano.

Segundo Gamika Takkar, diretora de Research na área de Risk & Audit da Gartner, os resultados evidenciam uma dupla preocupação: “Os riscos emergentes no quarto trimestre de 2025 mostram uma preocupação contínua com questões económicas, geopolíticas e ambientais, mas também uma crescente consciência do risco organizacional associado ao rápido crescimento do uso de IA, dentro e fora das organizações, tanto por atores legítimos como maliciosos.”

O relatório destaca ainda o aumento acelerado da adoção de sistemas de Inteligência Artificial (IA) com agência, com muitas organizações a planearem implementações significativas nos próximos dois anos. Apesar do potencial transformador, este tipo de tecnologia herda e amplifica riscos já identificados noutras aplicações de inteligência artificial, como enviesamento algorítmico, imprecisões e fuga de dados.

A IA com agência representa um salto significativo na automação e na tomada de decisão empresarial”, sublinha Takkar. “Ao contrário dos modelos tradicionais que dependem de instruções humanas, os sistemas com agência operam de forma autónoma. À medida que ganham autonomia e complexidade, a intervenção humana torna-se mais desafiante, elevando o nível de exigência na gestão do risco.”

Os dados sugerem que, num contexto económico ainda instável, os líderes de risco enfrentam um cenário em que a pressão macroeconómica se cruza com desafios tecnológicos emergentes, obrigando as organizações a reforçar mecanismos de governação, supervisão e controlo, especialmente no domínio da IA.

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