Um novo estudo da BCG revela que as empresas planeiam duplicar o investimento em inteligência artificial em 2026, com os CEO a assumirem um papel central nas decisões e na sua própria requalificação
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As empresas planeiam duplicar o investimento em Inteligência Artificial (IA) em 2026, segundo o relatório BCG AI Radar 2026, da Boston Consulting Group. O estudo indica que o investimento médio em IA deve atingir cerca de 1,7% das receitas, mais do dobro do crescimento registado em 2025, o que reflete a convicção generalizada de que a IA se tornou uma prioridade estratégica. De acordo com o relatório, 94% das empresas afirmam que vão continuar a investir em IA, mesmo que os projetos não gerem retornos imediatos. Esta confiança é acompanhada por uma mudança clara na governação da tecnologia, uma vez que 72% dos CEO dizem ser agora os principais decisores em matéria de IA, o dobro da percentagem registada no ano anterior. Metade dos líderes considera mesmo que o seu desempenho enquanto CEO depende de acertar na estratégia de IA. “Apesar da incerteza económica, este aumento do investimento mostra o quanto a IA se tornou prioritária no mundo empresarial”, afirma Christoph Schweizer, CEO da BCG e coautor do estudo, sublinhando que a IA deixou de estar confinada às áreas de IT ou inovação e passou a influenciar diretamente a estratégia e as operações, a partir do topo das organizações. CEO assumem o controlo da estratégia de IAO inquérito, realizado junto de 2.360 executivos em 16 mercados e nove setores, incluindo 640 CEO, identifica três perfis de liderança em relação à IA. A maioria, cerca de 70%, enquadra-se como “pragmáticos”, uma vez que apostam em IA quando existe valor claro e risco controlado. Cerca de 15% são classificados como “seguidores”, que reconhecem o potencial da tecnologia, mas investem de forma cautelosa. Os restantes 15% são considerados “pioneiros”, ao liderar transformações profundas com investimentos decisivos, rápida requalificação das equipas e forte convicção no retorno do investimento. As diferenças entre estes perfis são particularmente visíveis no investimento em competências. As empresas lideradas por CEO pioneiros alocam cerca de 60% do orçamento de IA à requalificação e reciclagem da força de trabalho, face a 27% nos pragmáticos e 24% nos seguidores. Estes líderes são também mais rápidos e ambiciosos na adoção de agentes de IA, e têm a tendência de direcionar mais de metade do investimento previsto para 2026 para soluções de IA com agência, sendo cerca de duas vezes mais propensos a implementar estes sistemas de forma transversal aos processos. O relatório indica ainda que os CEO estão a comprometer mais de 30% do investimento total em IA para agentes inteligentes, impulsionados pela convicção de que estes sistemas vão gerar retornos mensuráveis já em 2026. Esta expectativa é partilhada por cerca de 90% dos CEO e ajuda a sustentar o aumento do otimismo quanto ao retorno do investimento, com quatro em cada cinco líderes a afirmarem estar mais confiantes do que no ano anterior. Diferenças regionais na confiança sobre o retorno da IAExistem, no entanto, diferenças regionais significativas. A confiança no retorno da IA é mais elevada na Ásia, com cerca de três quartos dos CEO na Índia e na Grande China a acreditarem que o investimento irá compensar, face a 44% no Reino Unido, 52% nos Estados Unidos e 61% na Europa. Nos mercados ocidentais, uma maior proporção de líderes admite que o investimento em IA é motivado pela pressão competitiva e pelo receio de ficar para trás. Uma das conclusões do estudo é que todos os setores analisados planeiam aumentar o investimento em IA em 2026. As instituições financeiras e as empresas tecnológicas lideram, com investimentos equivalentes a cerca de 2% das receitas, enquanto sectores como a indústria e o imobiliário apontam para valores mais moderados, próximos de 0,8%. Para a BCG, a próxima fase da adoção de IA exige uma liderança clara e, entre as prioridades identificadas, estão tornar a IA uma aposta central da estratégia, reforçar a literacia em IA ao nível da liderança, investir à escala certa, requalificar as equipas e exigir métricas claras de retorno. Como conclui Sylvain Duranton, líder global da BCG X, “a verdadeira vantagem competitiva vai pertencer aos CEO que consigam redesenhar funções de ponta a ponta e criar novos produtos e serviços impulsionados por IA”. |