Estudo da Salesforce aponta que equipas comerciais em Portugal colocam a inteligência artificial no topo das prioridades para 2026 e destaca forte adoção de agentes para impulsionar produtividade e crescimento
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As equipas comerciais em Portugal estão a posicionar a Inteligência Artificial (IA) e os agentes de IA como prioridade estratégica para 2026. A conclusão resulta da mais recente edição do State of Sales Report, da Salesforce, baseada num inquérito a 4.050 profissionais de vendas de mais de 20 países, incluindo Portugal, realizado entre agosto e setembro de 2025. Segundo o estudo, que abrangeu líderes de vendas, representantes comerciais, profissionais de desenvolvimento de negócio e operações, representando mercados como Portugal, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Japão, 89% das equipas e empresas de vendas inquiridas em Portugal já utilizam alguma forma de IA em tarefas como prospeção, previsão, pontuação de leads ou redação de emails. Entre os utilizadores, 89% afirmam que a tecnologia melhora a compreensão do cliente e 87% indicam que reduz o nível de stress associado ao trabalho comercial. A adoção de agentes de IA está igualmente em aceleração. Cerca de 41% dos profissionais de vendas em Portugal que participaram no estudo já utilizaram agentes e 53% planeiam fazê-lo até 2027. Uma vez plenamente implementados, os inquiridos estimam que estes sistemas possam reduzir o tempo dedicado à pesquisa de potenciais clientes em 31% e à redação de conteúdos em 35%. Fernando Braz, Country Leader da Salesforce em Portugal, afirma que o objetivo passa por eliminar tarefas administrativas para libertar as equipas para atividades de maior valor. Segundo o responsável, os agentes de IA permitem integrar novos representantes, acelerar orçamentação de negócios complexos e automatizar prospeção contínua. Desempenho e adoção de agentesO estudo indica que os profissionais de alto desempenho têm 1,7 vezes mais probabilidade de utilizar agentes de IA na prospeção do que os colegas com resultados inferiores. Apesar de 53% dos representantes portugueses considerarem as chamadas a frio a parte mais exigente da função, mais de metade (66%) já utilizam IA para apoiar atividades de prospeção, enquanto 37% planeiam fazê-lo no futuro. A nível global, 92% dos vendedores que recorrem a agentes de IA afirmam que estes melhoram os esforços de prospeção. Burocracia penaliza gerações mais jovensO relatório identifica a carga administrativa como um dos principais entraves à produtividade, afetando sobretudo profissionais da Geração Z. Em média, os vendedores em Portugal dedicam 43% do tempo a atividades de venda. No caso da Geração Z, essa percentagem desce para 35%, refletindo maior peso de tarefas manuais, como introdução de dados. Entre estes profissionais, 46% referem receber raramente feedback sobre conversas de vendas e 47% indicam não ter oportunidades suficientes de simulação antes de interações com clientes. A falta de tempo dos gestores surge como principal obstáculo à formação eficaz. Dados como base da IAA qualidade e integração dos dados surgem como fator crítico para maximizar o retorno da IA. Cerca de 37% dos líderes de vendas portugueses que utilizam IA indicam que sistemas desconectados estão a atrasar iniciativas nesta área. Para mitigar o problema, 61% dos profissionais concentram-se na limpeza e normalização de dados. Entre os profissionais de alto desempenho, essa prioridade sobe para 79%, face a 54% entre os restantes. Fernando Braz sublinha que a eficácia dos agentes depende de dados unificados e contextualizados, defendendo que sistemas isolados limitam a precisão e utilidade das soluções de IA. |