A utilização de agentes de IA nas empresas está a entrar numa fase de massificação, mas a falta de integração e governação ameaça travar os ganhos de produtividade, segundo um novo estudo da Salesforce
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A adoção de agentes de Inteligência Artificial (IA) nas empresas deverá crescer 67% nos próximos dois anos, à medida que as organizações aceleram a transição para modelos de negócio de IA com agência, nos quais humanos e sistemas autónomos trabalham em conjunto. Atualmente, as empresas já utilizam, em média doze, agentes de IA, e 83% afirmam que a maioria das equipas e funções já recorre a este tipo de tecnologia, de acordo com o 11.º Connectivity Benchmark Report da Salesforce, baseado num inquérito a 1.050 líderes de IT empresariais. O estudo mostra que os agentes de IA deixaram de ser experimentais e estão a tornar-se um motor central da produtividade, com 96% dos responsáveis de IT inquiridos a afirmarem que os agentes já melhoraram ou têm perspetiva que melhorem a experiência dos colaboradores, enquanto 95% acreditam que vão libertar os developers para tarefas de maior valor. No entanto, o ritmo de adoção está a expor fragilidades estruturais, já que 50% dos agentes operam ainda em silos, fora de sistemas multiagente, o que gera fluxos de trabalho fragmentados, automações redundantes e riscos crescentes de ferramentas de IA fora da governação de IT. Segundo o relatório, os agentes existentes são desenvolvidos de forma diversificada, repartindo-se entre soluções SaaS pré-configuradas (36%), agentes integrados em plataformas empresariais (34%) e desenvolvimento interno à medida (30%). Para gerir esta diversidade, as organizações estão a demonstrar um interesse crescente em protocolos de comunicação entre agentes, como o Agent Network Protocol, Agent Communication Protocol e Agent-to-Agent Protocol. Integração e governação no centro das preocupaçõesA proliferação de aplicações e agentes está a criar um fosso entre ambição e execução. O número médio de aplicações nas empresas subiu para 957, mas apenas 27% estão integradas entre si. Como resultado, 86% dos líderes de IT receiam que os agentes tragam mais complexidade do que valor se não forem devidamente integrados. Entre os principais obstáculos identificados estão a gestão de risco e conformidade que regista cerca de 42%; a falta de competências internas em IA com 41%; as infraestruturas legadas que representam 37%; e a integração de dados e aplicações em silos com 35%. Os desafios relacionados com dados são particularmente críticos, uma vez que 96% das organizações inquiridas reportam barreiras à utilização de dados em use cases de IA, sendo que 40% apontam arquiteturas de IT desatualizadas e sistemas desconectados como um dos principais bloqueios. Além disso, cerca de 27% das API estão atualmente sem governação formal, e apenas 54% das organizações dispõem de um modelo centralizado de governação para capacidades de IA com agência. Arquiteturas orientadas a API como respostaPara ultrapassar estes constrangimentos, os líderes de IT estão a apostar em arquiteturas orientadas a API como base unificadora. 96% concordam que o sucesso dos agentes de IA depende de uma integração fluida de dados entre sistemas, e 94% defendem que a arquitetura de IT terá de se tornar cada vez mais API-driven. Metade das organizações já utiliza API para ligar e governar agentes de IA, e um terço recorre a estas tecnologias para acelerar a integração de sistemas. Casos práticos citados no estudo mostram como uma base unificada permite passar de silos experimentais para operações críticas de negócio, com múltiplos agentes a colaborar de forma segura e orquestrada. Para Andrew Comstock, SVP e GM da MuleSoft na Salesforce, “o verdadeiro sucesso de uma empresa não está no número de agentes, mas na eficácia com que são descobertos, governados e orquestrados para trabalhar em conjunto”. O relatório conclui que esta transformação só será sustentável se for acompanhada por uma estratégia sólida de integração, governação e arquitetura, capaz de transformar um ecossistema fragmentado de agentes numa plataforma coerente, segura e escalável para o futuro das empresas. |