Um estudo da IBM revela que 79% dos executivos esperam que a IA contribua de forma significativa para as receitas até 2030. Apesar disso, a maioria ainda não conhece a origem desse valor
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A Inteligência Artificial (IA) deverá tornar-se um dos principais motores de crescimento das empresas até 2030, segundo um novo estudo do IBM Institute for Business Value, baseado em inquéritos a mais de dois mil executivos de topo a nível mundial. De acordo com a análise, 79% dos líderes empresariais acreditam que a IA terá um impacto relevante nas receitas das suas organizações até ao final da década, face aos 40% que partilham essa convicção atualmente. Apesar das expectativas elevadas, apenas 24% dos executivos afirmam ter uma visão clara sobre as fontes concretas desse crescimento. Ainda assim, o investimento em IA deverá acelerar de forma significativa, com os inquiridos a preverem um aumento de cerca de 150% no investimento até 2030. Em paralelo, 68% dos executivos manifestam preocupações quanto ao risco de falha das iniciativas de IA, sobretudo devido à fraca integração com as atividades centrais do negócio. O estudo indica que as empresas estão a deslocar o foco da eficiência para a inovação. Embora atualmente 47% do investimento em IA esteja direcionado para ganhos de eficiência, os executivos esperam que, em 2030, 62% desse investimento seja dedicado à inovação. Cerca de 64% acreditam que a vantagem competitiva futura resultará mais da inovação do que da otimização de recursos, e 70% planeiam reinvestir os ganhos de produtividade gerados pela IA em iniciativas de crescimento. Os executivos estimam ainda que a IA poderá aumentar a produtividade em 42% até 2030, sendo que dois terços esperam capturar a maior parte desses ganhos até essa data. No entanto, o estudo revela um desfasamento entre ambição e preparação tecnológica: apesar de 57% dos inquiridos considerarem que a sofisticação dos modelos de IA será determinante para a competitividade, apenas 28% afirmam saber que modelos irão necessitar nos próximos anos. A maioria das organizações antecipa um futuro multi-modelo, com 82% a esperar utilizar múltiplos modelos de IA até 2030 e 72% a prever que Small Language Models (SLM) venham a superar os Large Language Models (LLM). As empresas que já estão a escalar a IA em vários workflows, recorrendo a modelos personalizados e de base, estimam ganhos de produtividade 24% superiores e margens operacionais 55% mais elevadas até 2030. O estudo aponta também para um impacto profundo da IA na liderança e nas competências. Cerca de 74% dos executivos acreditam que a IA irá redefinir os papéis de liderança, e dois terços consideram que vão surgir funções de liderança inteiramente novas. Até 2030, um quarto dos conselhos de administração poderá contar com um advisor ou co-decisor baseado em IA. Ao nível da força de trabalho, mais de metade dos executivos (57%) antecipam que a maioria das competências atuais se tornará obsoleta até ao final da década, enquanto 67% defendem que a mentalidade será mais importante do que as competências técnicas. O estudo conclui que organizações com uma abordagem “AI-first” têm maior probabilidade de criar novos perfis profissionais e de redesenhar a sua estrutura organizacional para extrair mais valor da IA. A IBM sublinha que o sucesso passará por integrar a IA de forma transversal na estratégia, operações e modelos de negócio, transformando ambições em resultados mensuráveis ao longo dos próximos anos. |