Nove em cada dez executivos de topo em Portugal encaram 2026 com confiança e registaram crescimento dos lucros em 2025, mas o investimento em Inteligência Artificial continua significativamente abaixo dos níveis globais, revela o barómetro C-Suite da Forvis Mazars
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O mais recente barómetro C-Suite da Forvis Mazars Group indica que 90% dos executivos de topo em Portugal estão otimistas quanto ao crescimento em 2026, num contexto em que sete em cada dez empresas reportaram um aumento dos lucros ao longo de 2025. Apesar deste cenário positivo, a incerteza económica e o aumento da concorrência continuam a ser apontados como fatores que podem travar a expansão dos negócios. De acordo com o relatório, realizado entre outubro e novembro de 2025 junto de 3.012 líderes C-Suite de organizações com fins lucrativos, com receitas anuais superiores a um milhão de dólares, em quarenta países, a Inteligência Artificial (IA), o aumento da concorrência, as novas tecnologias, a agitação social e os novos modelos de trabalho surgem como as forças externas que mais pressionam as empresas portuguesas. Ainda assim, o Índice de Confiança em Portugal fica-se pelos 20%, o que significa que apenas um em cada cinco executivos se diz muito confiante na capacidade de gerir estas transformações. A expansão internacional, a entrada em novas categorias de produtos ou serviços e a reestruturação e redução de custos surgem como prioridades estratégicas para 2026. Em média, 58% das empresas planeiam aumentar o investimento, sobretudo em áreas já consolidadas como a aquisição de clientes, os sistemas de IT e digitalização e o planeamento da continuidade do negócio. A IA é apontada como a principal prioridade em matéria de transformação tecnológica, referida por 47% dos executivos, seguida do crescimento das receitas e do reforço de parcerias internas e externas. No entanto, menos de metade das empresas afirma ter uma estratégia clara de transformação tecnológica definida para 2026. Apesar disso, os líderes demonstram maior confiança no retorno do investimento em IA, automação e cibersegurança. O estudo revela ainda que a adoção da IA já está a ter impacto na organização do trabalho, com 15% dos executivos a indicar que a tecnologia substituiu funções, enquanto 38% referem a criação de novos postos. Três em cada cinco empresas já reestruturaram equipas para implementar soluções de IA, sobretudo em áreas como previsões, eficiência interna, criatividade e aquisição de conhecimento. Apesar do reconhecimento do potencial da tecnologia, o investimento continua limitado. Apenas 2% das empresas portuguesas investem atualmente mais de um quinto do seu orçamento em IA, muito abaixo da média global de 15%. Além disso, quatro em cada cinco executivos manifestam preocupações éticas associadas à utilização da IA, sendo que um terço as classifica como relevantes. Para Sérgio Santos Pereira, Country Managing Partner da Forvis Mazars em Portugal, “o novo ano parece oferecer uma perspetiva positiva aos executivos de topo nacionais, com um claro horizonte de crescimento”, mas o estudo evidencia também “uma atitude prudente face a um clima de incerteza global”. O responsável sublinha ainda que, apesar das iniciativas em curso, “há ainda muito caminho a percorrer”, refletido no reduzido número de empresas que investem de forma significativa em inteligência artificial. |