Escassez de talento e digitalização marcam o futuro da logística em Portugal

Estudo do ManpowerGroup e da APLOG revela que 81% dos empregadores antecipam mudanças profundas nos perfis profissionais e reforça a urgência do upskilling

Escassez de talento e digitalização marcam o futuro da logística em Portugal

O setor da Logística e dos Transportes em Portugal antecipa um impacto significativo da Inteligência Artificial (IA) e das novas tecnologias na evolução dos perfis profissionais. De acordo com o estudo “Desafios de Talento em Logística e Transportes”, do ManpowerGroup em parceria com a Associação Portuguesa de Logística (APLOG), 81% dos empregadores consideram que a IA irá transformar as funções existentes.

O estudo aponta a transformação digital como a principal prioridade estratégica do setor, destacada por quase 60% das organizações, seguida da formação e desenvolvimento do talento, referida por cerca de 55%. A segurança e a cibersegurança surgem igualmente entre as áreas críticas, mencionadas por metade dos empregadores.

Quando analisadas de forma agregada, a necessidade de maior agilidade e flexibilidade face à volatilidade do mercado e a procura de eficiência e otimização de custos são consideradas relevantes ou muito relevantes por 95% e 97% das empresas, respetivamente.

No que diz respeito aos desafios de talento, a escassez e a competitividade na atração de profissionais é o principal obstáculo, sendo considerada muito relevante por 66% das empresas e relevante, ou muito relevante por 98%, um aumento de nove pontos percentuais face ao ano anterior. A fidelização de talento é também apontada como uma preocupação crítica.

Apesar deste contexto, 57% dos empregadores planeiam aumentar as suas equipas no próximo ano. A procura incide sobretudo em perfis operacionais e de apoio à transformação digital. Os operadores de armazém e picking lideram as intenções de contratação, seguidos por condutores de máquinas de armazém e condutores de veículos pesados.

A digitalização está igualmente a impulsionar a procura por perfis tecnológicos. As intenções de contratação em áreas como data analytics e business intelligence aumentaram de forma significativa, passando de 7% em 2023 para 29% em 2025. Técnicos de cibersegurança também ganham relevância, com 14% das empresas a indicar necessidades nesta área.

Relativamente ao impacto da IA no emprego, apenas 9% dos empregadores associam a tecnologia à destruição de postos de trabalho, enquanto a maioria aponta para uma transformação das funções existentes. O estudo reforça a importância de estratégias de upskilling e reskilling para garantir a empregabilidade dos profissionais.

As condições de trabalho são identificadas como o principal fator de escassez de talento, seguidas pela falta de formação especializada e de experiência. Para responder a estes desafios, as empresas destacam o aumento salarial e o investimento na capacitação dos trabalhadores como as principais estratégias de atração e retenção.

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