Analistas antecipam travagem no investimento empresarial em hardware e alertam para crescimento mínimo dos orçamentos em 2026
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As ações de empresas norte-americanas de hardware de tecnologias de informação registaram quedas significativas depois de o Morgan Stanley ter adotado uma posição mais cautelosa sobre o setor, alertando para uma combinação de desaceleração da procura empresarial, aumento dos custos dos componentes e avaliações elevadas. A empresa desceu a recomendação da Logitech e da NetApp para underweight, o que levou a quedas de cerca de 6,2% e 3,8%, respetivamente, no pré-mercado. A CDW Corporation foi também revista em baixa, de overweight para equal-weight, com as ações a recuarem cerca de 2,1%. Títulos de outros grandes fabricantes, como Dell Technologies, HP Inc. e Hewlett Packard Enterprise caíram entre 2% e 3%. Segundo os analistas do Morgan Stanley, está a formar-se uma “tempestade perfeita” para o setor, marcada por abrandamento da procura, inflação nos custos de produção e avaliações exigentes, levando o banco a assumir uma postura mais defensiva para 2026. A instituição reduziu a sua perspetiva para a indústria de hardware de IT na América do Norte para cautious, face a sinais de que os responsáveis tecnológicos nas empresas começaram a reduzir planos de investimento em hardware. Com base no mais recente inquérito do Morgan Stanley, os analistas estimam que os orçamentos de hardware cresçam apenas 1% em termos homólogos em 2026, o valor mais baixo registado fora do período da pandemia em cerca de quinze anos. O mesmo estudo indica ainda que 30% a 60% dos clientes de value-added resellers planeiam cortar despesas em PC, servidores e armazenamento, em resposta à subida de preços provocada pelo aumento do custo dos componentes. “Com custos mais elevados e uma procura sensível ao preço, aumenta o risco de revisões em baixa das estimativas de resultados para 2026”, conclui o Morgan Stanley, reforçando a visão mais prudente para o setor de hardware tecnológico nos próximos trimestres. |