Um estudo da Randstad demonstra que quatro em cada cinco trabalhadores acreditam que a IA vai alterar as suas tarefas, com a Geração Z a revelar maior apreensão
|
Os trabalhadores mais jovens são os que demonstram maior preocupação com o impacto da Inteligência Artificial (IA) no emprego, numa altura em que as empresas recorrem cada vez mais a chatbots, automação e agentes de IA. A conclusão é do mais recente relatório “Workmonitor”, da Randstad, que analisou respostas de 27 mil trabalhadores e 1.225 empregadores, bem como mais de três milhões de ofertas de emprego em 35 mercados. O estudo indica que 80% dos trabalhadores acreditam que a IA vai afetar as suas tarefas diárias, refletindo uma perceção generalizada de mudança no local de trabalho. Entre as diferentes gerações, a Geração Z surge como a mais apreensiva, enquanto os baby boomers revelam maior confiança na sua capacidade de adaptação e são os menos preocupados com os efeitos da tecnologia. “O que observamos, de um modo geral, é que os trabalhadores estão entusiasmados com a IA, mas também mostram algum ceticismo, no sentido em que as empresas querem aquilo que sempre quiseram: reduzir custos e aumentar a eficiência”, afirma Sander van’t Noordende, CEO da Randstad. A preocupação dos mais jovens surge num contexto de rápida transformação do mercado de trabalho. Segundo a Randstad, as vagas que exigem competências em “agentes de IA” registaram um crescimento de 1.587%, sinalizando que a automação está a substituir sobretudo funções transacionais e de baixa complexidade. O relatório revela ainda que quase metade dos trabalhadores receia que a IA beneficie mais as empresas do que os próprios colaboradores, aprofundando a perceção de desequilíbrio na distribuição dos ganhos de produtividade. Esta desconfiança é reforçada por um fosso claro entre empregadores e trabalhadores quanto às perspetivas económicas: enquanto 95% das empresas antecipam crescimento, apenas 51% dos trabalhadores partilham esse otimismo. Num contexto de pressão crescente sobre os mercados de trabalho, marcado por cortes de emprego e por um investimento massivo em IA cujos retornos ainda são incertos, a Randstad sublinha que a forma como as organizações gerem a adoção da IA será determinante para mitigar receios e garantir uma transição mais equilibrada no futuro do trabalho. |