A soberania tecnológica global registará progressos limitados até 2030, mantendo-se concentrada na China e nos Estados Unidos, conclui uma nova análise da Forrester
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A soberania tecnológica deverá evoluir lentamente nos próximos cinco anos, apesar do aumento das tensões geopolíticas e da crescente competição em torno da Inteligência Artificial (IA). A conclusão consta do relatório “Global Sovereignty Forecast, 2025 to 2030”, da Forrester, que avalia a capacidade dos países para desenvolver, operar e proteger tecnologias críticas de forma independente. Segundo a consultora, o índice médio de soberania tecnológica dos 14 países analisados passará de 39% em 2025 para apenas 40% em 2030, evidenciando um progresso limitado na redução da dependência de fornecedores e tecnologias estrangeiras. A China lidera o ranking, com uma pontuação de 82%, seguida pelos Estados Unidos, com 79%. A Forrester prevê que ambos os países mantenham esta posição até ao final da década, consolidando a concentração da soberania tecnológica num número reduzido de grandes potências económicas e geopolíticas. O estudo analisa nove dimensões consideradas essenciais para a autonomia tecnológica, incluindo investimento governamental em IA, soberania na cloud, disponibilidade de talento tecnológico, desenvolvimento de modelos de IA, capacidade e autonomia de data centers, produção de semicondutores, desenvolvimento de Software e processamento de terras raras. Entre estas áreas, a produção de semicondutores deverá registar a evolução mais significativa. A Forrester estima que os Estados Unidos e a Coreia do Sul aumentem a respetiva pontuação de 45% para 79% até 2030. O Japão deverá passar de 36% para 53%, a China de 40% para 51% e a Índia de 0% para 13%. Apesar destes progressos, a consultora considera que os semicondutores e o Software continuarão a representar os maiores desafios para a soberania tecnológica, devido à elevada concentração das cadeias de fornecimento e ao domínio exercido por um número reduzido de fornecedores globais. A análise revela também fortes diferenças regionais. Na região Ásia-Pacífico, a China mantém uma posição destacada, enquanto a Coreia do Sul deverá passar de 45% para 47% e o Japão de 43% para 46%. A Índia também apresenta uma evolução positiva, aumentando de 32% para 35%, enquanto a Austrália deverá manter-se nos 29%. Na América do Norte, a disparidade continua significativa. Enquanto os Estados Unidos reforçam a liderança global, o Canadá deverá evoluir apenas de 33% para 34%, e o México permanecerá na última posição entre os países analisados, com uma pontuação de 20%. Já na Europa, as maiores economias continuam dependentes de fornecedores externos em áreas como semicondutores, Cloud, Software e capacidade de Data Centers. A Forrester prevê que a Alemanha e Espanha aumentem de 34% para 36%, França de 33% para 35%, Reino Unido de 30% para 32% e Itália de 27% para 29%. Para Dario Maisto, Principal Analyst da Forrester, a crescente volatilidade geopolítica, a competição em torno da IA e os riscos associados às cadeias de fornecimento de semicondutores tornaram a soberania tecnológica uma prioridade estratégica. O analista defende que os países devem identificar as suas dependências críticas e estabelecer parcerias duradouras que garantam a proteção dos dados, das infraestruturas e da autonomia tecnológica a longo prazo. |