A Red Hat e a Intel, em colaboração com a AWS, promoveram um encontro de parceiros e clientes onde apresentaram, na prática, os mais recentes avanços tecnológicos. O tema da soberania digital é um preocupação central na estratégia da empresa.
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A soberania, a cloud híbrida, a virtualização, a automação e a Inteligência Artificial (IA) soberana destacaram-se no encontro Innovate Together Lisboa, organizado pela Red Hat, na capital. São temas que que se encontram entre os desafios da maioria das organizações”, defendeu Edgar Ivo, da Red Hat Portugal.
Durante uma manhã de trabalho, foram partilhadas as experiências da SIBS e do Novo Banco, dois dos clientes mais maduros na tecnologia Red Hat e podem servir de exemplo a outros clientes, explicou o territory manager, à margem da conferência. As histórias partilhadas “reflectem os resultados práticos da utilização das tecnologias Red Hat por parte dos nossos clientes” e demonstram “de que modo a tecnologia teve um papel na resolução de desafios e na definição de uma estratégia sustentável”. No final da sessão, Edgar Ivo mostrou-se satisfeito com a receptividade dos clientes e parceiros, considerando- a “produtiva”, e destacando a presença de um público diversificado desde pessoas das áreas técnicas até decisores na área dos sistemas de informação. Sibs centra-se na automação e segurança A SIBS trabalha com soluções Red Hat há alguns anos. Nuno Ruivo explicou que a empresa está gradualmente a passar de modelos legados para arquitecturas mais modernas assentes numa cultura cloud. “Dividimos programas grandes em micro-serviços e resolvemos e agilizámos a evolução do código, o que nos dá capacidade de evoluir pouco de cada vez, mas muitas vezes. As equipas de desenvolvimento tornam-se mais ágeis, com menos falhas nas entregas, sendo possível testar partes (containers) de um programa” ao longo do tempo, detalhou.
A empresa encara a automação como algo necessário para governar. Foram por isso criadas equipas de IT que desenvolvem scripts integrados na Ansible Automation Platform (AAP). Foram também criadas boas práticas que resultaram standards, utilizados na componente de automação, que permite a reutilização, testes, redução de falhas, ganhos desempenho, redução do trabalho manual. Era fundamental para a empresa estar alinhada com certificados que almejam e para as quais se antecipam auditorias fortes. Para isso criaram um conjunto de acções previstas, como guias de instalações. “Através da criação de playbooks de automação conseguimos ver que tudo é cumprido e sem falhas e de acordo com os requisitos”. Finalmente, a interacção de equipas melhorou e os tempos baixaram devido a essa interacção”, com eliminação de fases desnecessárias, da repetição de tarefas foram agilizados tempos, correndo menos riscos, executando tarefas na ordem certa e sem esquecimentos. “Tudo funciona como deve ser”, concluiu. "Há muitas oportunidades de automação no Novo Banco"
O caminho para a automação do Novo Banco é mais recente e Nelson Boavida explica que a instituição procura resultados determinísticos e previsíveis no que toca à automação: incluindo o esforço hora/homem, o aumento da previsibilidade dos sistemas. No último ano, “começámos pela gestão de configurações, com foco na estabilização e crescimento da importância do OpenShift para o banco ter uma plataforma de containers previsível e desde modo quando as aplicações são deployed, são-no de acordo com procedimentos bem definidos, em que as configurações, os segredos ou os certificados estão isolados em territórios dedicados e em que os procedimentos de automação agem de forma determinísticas e em conformidade com as normas. Após este tema inicial, estamos a começar a expandir para a criação de utilizadores no Ansible, inclusive noutras geografias. Este veículo de automação normalizado democratiza o acesso dos utilizadores e “há muitas oportunidades de automação no Novo Banco”. Nelson Boavida salientou o reforço e diversificação da rede de parceiros especializados que se destaquem por conhecer as soluções em profundidade e o alinhamento das ofertas às reais necessidades do banco. Soberania digital: "Um grande, grande tema"
A soberania digital foi um conceito repetido ao longo da manhã de trabalhos. As organizações são diferentes, têm diferentes localizações e diferentes requisitos. É por isso “um grande, grande tema” descreveu Chris Jenkins, senior principal chief arquitecht na Red Hat. Sumariou que existem quatro dimensões da soberania: de dados, operacional, técnica e de garantia. Após detalhar as dimensões da soberania, asseverou a importância do cumprimento das boas práticas na criação de uma cloud aberta híbrida. Chris Jenkins aconselha a não confiar todos os sistemas a apenas um fornecedor, referindo que se “deve ter diferentes fornecedores de sistemas, porque, por vezes, as coisas correm mal. Quando necessário, é preciso ter a capacidade de mudar as plataformas, os workloads e os dados entre diferentes clouds (públicas, privadas, on-premises). Finalmente, deixou uma mensagem: “estas decisões devem ser tomadas ao nível da administração. É onde se deve falar sobre soberania digital”. A dimensão da soberania dos dados diz respeito à residência dos dados, como são acedidos, como estão cifrados, processados e recolhidos. A soberania operacional que está relacionado com o modo como as plataformas correm: se for hyperscaler quais são os direitos de acesso das equipas? Podem aceder aos dados, aos sistemas, ao suporte e manutenção. A soberania técnica tem que ver com a plataforma propriamente dita, como por exemplo a OpenShift. A Red Hat acredita dar resposta nesta matéria, porque nenhuma organização ou país é dono do open source. “É um software global a que toda a gente pode aceder, monitorizar, utilizar ou alterar. Caso existam requisitos específicos em determinado país, é possível alterar a versão sistema, utilizando os princípios do open source”, esclareceu Chris Jenkins. O open source representa “liberdade”, disse. No topo todas estas soberanias, está a soberania de garantia (assurance) que é uma confirmação de que o software, plataformas que se diz ter estão de facto a correr.
Ainda sobre este tema, Davi Garcia, da AWS, acrescentou que, na Alemanha, foi construída a European Sovereign Cloud, que se distingue por não ter ligação a nenhuma outra infra-estrutura. Assinalou ainda a longa parceria com a Red Hat desde 2015, incluindo o Red Hat OpenShift Service on AWS (ROSA) e o mais recente OpenShift AutoNode (Karpenter), um autoscaler gerido, baseado no Projecto Karpenter upstream que melhora a utilização computacional e reduz os custos do ROSA, e que representa “o próximo passo da jornada da Red Hat e da AWS”, como salientou Victor Hernando Martin, managed OpenShift da Red Hat. IA suportada em código aberto
A Red Hat aposta na fundação de IA suportada em código aberto. A empresa recordou a estratégia de IA baseada em agentes, a expansão de capacidades voltadas para a automação baseada em agentes inteligentes, a soberania de dados e as novas capacidades de inferência. Além disso, a partilhou com os clientes e parceiros a colaboração estratégica da Red Hat AI Factory com a NVIDIA, “uma colaboração estratégica para acelerar a implementação e o desenvolvimento de IA nas empresas”, explicou Edgar Ivo. A manhã de trabalho incluiu ainda a apresentação técnica de modelos de IA com RHAIIS, do Portal Self-Service do Ansible para automação e do sistema de virtualização do Red Hat OpenShift. “Num mercado instável e com as alterações no mercado de virtualização tradicional”, a empresa reagiu com soluções diversificadas, incluindo a plataforma unificada Red Hat OpenShift Virtualization, que “corre, gere e governa, em simultâneo, máquinas virtuais, contentores e cargas de trabalho de Inteligência Artificial”, detalhou o territory manager. Já a nova versão do Red Hat Ansible Automation Platform 2.7 conta com novas capacidades de automação inteligente e agentic automation para optimizar fluxos de trabalho tecnológicos. Foi ainda anunciada a disponibilidade geral das novas versões Red Hat Enterprise Linux (RHEL) 10.2 e 9.8, que incluem o suporte a ambientes pós-quânticos (Post-Quantum Readiness). Finalmente, a empresa falou sobre as novas soluções RHEL Long-Life Add-On e Red Hat Hardened Images, que garantem, segundo Edgar Ivo, “maiores ciclos de vida de suporte e imagens de sistema altamente seguras e prontas a operar em ambientes que exigem conformidade regulatória estrita”.
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