A maioria das empresas portuguesas já utiliza inteligência artificial na gestão de talento, mas continua a privilegiar a avaliação humana nas decisões de recrutamento, segundo a ManpowerGroup
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A Inteligência Artificial (IA) está a ganhar peso na gestão de talento nas empresas portuguesas, mas o fator humano continua a ser determinante nos processos de recrutamento, conclui o ManpowerGroup Employment Outlook Survey relativo ao terceiro trimestre de 2026. Segundo o estudo, 85% dos empregadores em Portugal afirmam já ter identificado um impacto positivo ou retorno do investimento associado à utilização da IA na gestão de talento. O ManpowerGroup Employment Outlook Survey, relativo ao terceiro trimestre de 2026, consultou mais de 40.500 empregadores em 42 países. Apesar do otimismo, apenas 6% dos empregadores portugueses consideram que a tecnologia corresponde plenamente às expectativas nos processos de atração de talento, indicando que continua a ser vista como uma ferramenta de apoio e não como um substituto da intervenção humana. A análise revela que os principais benefícios da IA são identificados nas áreas de formação e desenvolvimento, referidas por 32% das empresas, e de gestão de desempenho, destacada por 18% dos inquiridos. Em contrapartida, apenas 7% das empresas portuguesas apontam ganhos significativos na utilização da IA para recrutamento e atração de talento. Apesar disso, 54% das organizações nacionais já recorrem a ferramentas de IA nos processos de atração, integração e formação de colaboradores. As principais limitações apontadas pelos empregadores estão relacionadas com a falta de profundidade dos resultados, a reduzida capacidade de adaptação da formação gerada e as dificuldades da tecnologia em apoiar processos de julgamento e tomada de decisão. No recrutamento, as empresas identificam vantagens sobretudo em tarefas administrativas. 37% dos empregadores destacam a redação de descrições de funções como a principal área onde a IA acrescenta valor, 36% apontam a comunicação com candidatos e 30% referem a triagem de currículos. Ainda assim, 51% dos empregadores portugueses consideram que a análise de currículos realizada por uma pessoa continua a ser o recurso mais importante para a decisão de contratação. Segundo a ManpowerGroup, os resultados apontam para um modelo híbrido, em que a IA assume um papel crescente na automatização de tarefas e na análise de informação, enquanto competências como comunicação, pensamento crítico, adaptabilidade, colaboração e capacidade de decisão continuam a distinguir os profissionais e a influenciar as decisões de recrutamento. |