Um estudo da ManpowerGroup conclui que a adoção da IA está a superar a preparação das organizações. Apenas 3% consideram que as suas lideranças estão prontas para gerir equipas apoiadas por IA
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A adoção da Inteligência Artificial (IA) nas organizações está a avançar mais rapidamente do que a capacidade das lideranças para gerir a transformação, segundo o estudo da ManpowerGroup Talent Solutions, desenvolvido em parceria com a Everest Group, que indica que apenas 3% das organizações que participam no estudo consideram os seus líderes totalmente preparados para gerir equipas que recorrem à IA. O relatório The New Talent Equation: Activating Workforce Confidence at Scale, conclui que os principais obstáculos à transformação deixaram de estar relacionados com a implementação tecnológica e passaram a centrar-se na preparação das pessoas, na confiança dos colaboradores e na capacidade de adaptação das organizações. Segundo o estudo, que se baseia num inquérito a 80 executivos de topo, incluindo membros da C-suite, diretores de Recursos Humanos e responsáveis pela aquisição de talento, de organizações dos Estados Unidos e do Reino Unido dos setores da saúde, ciências da vida, indústria transformadora e tecnologia, 78% das organizações afirmam que os colaboradores manifestam preocupação com o impacto da IA nos seus empregos, enquanto 63% identificam resistência à adoção destas ferramentas mesmo após a sua implementação. A investigação revela ainda que apenas 17% das organizações apresentam um nível avançado de preparação da força de trabalho, caracterizado pela integração da IA nos processos de trabalho e pela obtenção de resultados mensuráveis para o negócio. A preparação das lideranças surge como o principal entrave à transformação. Quase metade das organizações considera que os seus gestores estão apenas moderadamente preparados para liderar equipas em ambientes de trabalho apoiados por IA, sugerindo que o desenvolvimento de competências de liderança poderá tornar-se mais crítico do que a própria adoção da tecnologia. Apesar das preocupações relacionadas com o impacto da IA no emprego, o estudo indica que a tendência dominante não é a redução de postos de trabalho, mas sim a redefinição de funções. Cerca de 63% das organizações apontam a requalificação (reskilling) e a reafetação de colaboradores como a resposta mais frequente para funções significativamente afetadas pela IA, enquanto 86% identificam a formação em competências relacionadas com IA como uma prioridade para os próximos 12 a 18 meses. Os resultados sugerem ainda que os maiores ganhos de produtividade são alcançados quando a IA complementa o trabalho humano, em vez de o substituir. Cerca de 34% das organizações reportam os melhores resultados em funções onde pessoas e sistemas de IA colaboram através de processos de trabalho redesenhados, comparativamente com apenas 8% que registam maiores ganhos em funções totalmente automatizadas. O estudo defende que a próxima fase da transformação digital dependerá menos da velocidade de implementação da IA e mais da capacidade das organizações para preparar gestores e colaboradores para novos modelos de trabalho, reforçando simultaneamente a confiança na utilização destas tecnologias. |