O Governo espanhol quer impor novas exigências energéticas aos data centers. O setor receia que o novo enquadramento reduza a atratividade de Espanha e aponta Portugal como um dos potenciais beneficiários
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O Governo espanhol colocou em audiência pública uma proposta de regulamentação que introduz novos requisitos para a instalação e operação de data centers, nomeadamente ao nível do consumo de energia renovável. A indústria espanhola teme que as regras reduzam a competitividade do país e levem à relocalização de investimentos, com Portugal a surgir como um dos potenciais destinos alternativos, segundo o El Economista. O jornal espanhol aponta o acesso à energia, os preços competitivos, a conetividade de telecomunicações, a localização geográfica e as condições regulatórias como fatores que podem favorecer o mercado português. Energia no centro das críticasUma das principais preocupações está relacionada com as novas exigências para o consumo de eletricidade. A proposta do Governo espanhol prevê que os data centers abrangidos tenham de assegurar que pelo menos 80% do seu consumo é respaldado por produção de energia renovável, com correspondência horária entre produção e consumo. A regulamentação introduz também um princípio de adicionalidade. A nova procura de eletricidade deverá ser acompanhada por nova capacidade de produção renovável, instalada nos 18 meses anteriores à entrada em funcionamento do data center. Segundo o El Economista, o setor considera que as restrições energéticas previstas, associadas à incerteza sobre o futuro enquadramento regulatório, podem levar os investidores a reconsiderar projetos planeados para Espanha. Segurança jurídica preocupa setorA preocupação não se limita ao custo da energia. A indústria espanhola questiona também a segurança jurídica e a proporcionalidade das novas regras, sobretudo para projetos que já se encontram em desenvolvimento. A proposta prevê períodos de adaptação para projetos em tramitação, uma mudança que está a gerar críticas num setor em que os investimentos são planeados a vários anos e envolvem montantes elevados. De acordo com o El Economista, fontes do mercado espanhol consideram que, sem alterações substanciais à regulamentação, os novos requisitos podem afastar investimentos. Portugal entra na equaçãoPortugal surge como um dos destinos alternativos, num contexto em que outros mercados europeus podem vir a captar projetos inicialmente previstos para Espanha. As fontes do setor ouvidas pelo jornal espanhol destacam, no caso português, o acesso à energia, os preços competitivos, as boas ligações de telecomunicações, a localização geográfica e um enquadramento regulatório considerado mais favorável. Isso não significa, contudo, que esteja já confirmada uma transferência de projetos de Espanha para Portugal. O que existe, nesta fase, é um alerta da indústria espanhola sobre as consequências que atribui à futura regulamentação e a identificação de Portugal como possível destino de novos investimentos. A capacidade portuguesa para beneficiar deste cenário depende também da disponibilidade de energia e de capacidade de rede, dos processos de licenciamento e das condições económicas oferecidas aos operadores. Ainda assim, a discussão espanhola acrescenta uma nova variável à competição ibérica por infraestruturas digitais, numa altura em que o crescimento da inteligência artificial está a aumentar as necessidades de capacidade computacional, energia, conectividade e sistemas de arrefecimento. |