Identificados os principais riscos na construção de data centers de IA

A Lava apresentou o FORGE, um referencial que identifica os principais riscos de segurança em infraestruturas de inteligência artificial e data centers. O objetivo é apoiar operadores e clientes na avaliação e mitigação destes riscos

Identificados os principais riscos na construção de data centers de IA
Joseph / AdobeStock

A Lava divulgou o “FORGE – The Top 10 Data Center and AI Infrastructure Security Risks”, um novo referencial dedicado à segurança das infraestruturas que suportam cargas de trabalho de Inteligência Artificial (IA). O documento procura responder ao crescimento acelerado dos data centers especializados em IA e GPU cloud, defendendo que a evolução destas infraestruturas tem ultrapassado a capacidade de implementação de controlos de segurança adequados.

Segundo os autores, o foco deve deixar de estar exclusivamente nos modelos de IA e passar também pela infraestrutura física e lógica onde estes são executados, incluindo hardware, firmware, redes de alto desempenho, planos de gestão, armazenamento e sistemas operacionais dos data centers. O framework destina-se a operadores de infraestruturas, fornecedores de serviços, arquitetos de segurança, CISO e organizações que recorrem a plataformas de IA.

O relatório identifica dez riscos prioritários, ordenados de acordo com a sua criticidade. Entre os mais relevantes destacam-se o comprometimento da integridade do hardware e firmware, vulnerabilidades nas redes de interligação utilizadas por clusters de GPU, falhas no isolamento entre clientes em ambientes multi-tenant, vulnerabilidades nos sistemas de out-of-band management e riscos associados à cadeia de fornecimento de hardware, firmware e Software. O documento inclui ainda riscos relacionados com a gestão de instalações, tratamento inadequado de dados e artefactos, lacunas de certificação e transparência dos fornecedores, serviços operacionais inseguros e atrasos na disponibilização e aplicação de correções de segurança.

Entre as principais recomendações, a Lava defende a adoção de mecanismos de Secure Boot, Measured Boot e atestação de firmware, bem como a implementação de uma raiz de confiança baseada em hardware para validar a integridade das plataformas. O documento recomenda ainda a monitorização contínua do estado do firmware, a segmentação das redes de gestão e dos tecidos de comunicação utilizados pelas GPU, a utilização de assinaturas digitais para firmware e imagens de Software e a validação da integridade dos sistemas sempre que um servidor é reatribuído a outro cliente.

No domínio operacional, o relatório aconselha os fornecedores a reforçarem o isolamento entre clientes, limitar o acesso privilegiado aos planos de gestão, controlar a origem de imagens, dependências e modelos utilizados na infraestrutura e manter inventários atualizados de firmware, componentes e software. Para os clientes, recomenda a verificação dos mecanismos de isolamento disponibilizados pelos fornecedores, a inspeção do estado inicial dos sistemas atribuídos e a confirmação dos processos de limpeza e reconfiguração entre utilizações sucessivas de servidores dedicados.

O framework foi desenvolvido pela equipa de investigação da Lava com o contributo de especialistas de organizações como Google Cloud, IBM, Dell Technologies, Roblox, ServiceNow, Visa, Intel e outras entidades do setor. Os autores apresentam o FORGE como um documento aberto, sujeito a atualizações à medida que evoluem as ameaças dirigidas às infraestruturas de IA e aos data centers.

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