79% da capacidade global de data centers enfrenta riscos climáticos

A maioria da capacidade global de data centers está exposta a riscos climáticos elevados. Calor extremo, inundações e seca podem afetar custos operacionais e desempenho dos investimentos

79% da capacidade global de data centers enfrenta riscos climáticos

Os riscos climáticos estão a assumir um papel cada vez mais relevante na avaliação e desempenho dos investimentos em data centers, segundo uma análise da First Street que avaliou 97 mercados globais.

O estudo conclui que 79% da capacidade global de data centers está localizada em áreas sujeitas a riscos climáticos agudos, incluindo inundações, ventos extremos e incêndios florestais, fatores que podem provocar interrupções operacionais, aumentar os custos de reparação e pressionar os prémios de seguro.

A investigação revela ainda que 54% da capacidade mundial se encontra em mercados expostos a riscos climáticos crónicos, como calor extremo e seca. Estas condições podem aumentar os custos de arrefecimento, reduzir a eficiência energética e afetar a rentabilidade das operações.

Segundo a First Street, o crescimento acelerado da infraestrutura digital para suportar serviços cloud e aplicações de inteligência artificial está a concentrar investimentos em mercados que nem sempre têm em conta os impactos climáticos de longo prazo.

A análise mostra diferenças significativas entre regiões. Na Ásia-Pacífico, 89% da capacidade instalada encontra-se exposta a fatores de risco climático crónico, enquanto nas Américas essa proporção é de 50% e na região EMEA de 46%.

O estudo destaca também que alguns dos maiores polos mundiais de data centers figuram entre os mercados mais expostos. Entre eles encontram-se regiões como Northern Virginia, Johor e Marselha. Em contrapartida, os mercados nórdicos surgem entre os que apresentam menor exposição a riscos climáticos.

Para a First Street, estes fatores podem tornar-se num elemento diferenciador entre mercados que, à partida, apresentam indicadores semelhantes em termos de disponibilidade energética, conectividade, acesso a terrenos ou procura.

Jeremy Porter, chief economist da First Street, afirma que a localização de um data center “determina uma grande parte do custo para operá-lo nos próximos 20 ou 30 anos”, nomeadamente em áreas como arrefecimento, consumo de água e fiabilidade das infraestruturas. Apesar disso, o responsável afirma que “a maioria das avaliações ainda se foca no crescimento e trata o clima como uma preocupação secundária”.

Já Matthew Eby, fundador e CEO da empresa, alerta que muitos modelos de avaliação continuam a basear-se em dados históricos, apesar das alterações climáticas estarem a modificar os padrões de risco observados no passado.

Para o responsável, “os investidores que integrarem estes fatores nas decisões de subscrição e de alocação de capital estarão mais bem posicionados para identificar mercados resilientes e evitar riscos incorretamente avaliados”.

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