Execução é o principal travão ao crescimento dos data centers em 2026

Análise da DC Byte mostra um desfasamento crescente entre capacidade anunciada, comprometida e construída

Execução é o principal travão ao crescimento dos data centers em 2026

O mercado global de data centers entra em 2026 com uma procura robusta impulsionada por cloud hyperscale e workloads de Inteligência Artificial (IA), mas enfrenta um novo desafio estrutural: a dificuldade em transformar projetos planeados em capacidade efetivamente operacional. De acordo com a análise 2026 Data Centre Outlook, da DC Byte, a execução tornou-se o principal fator limitador do setor.

Apesar de o capital continuar disponível, e do interesse dos investidores se manter elevado, constrangimentos como disponibilidade energética, enquadramentos regulatórios e prazos de entrega estão a pesar mais do que o volume de projetos anunciados. A DC Byte identifica cinco tendências estruturais que estão a moldar as decisões de planeamento, financiamento e desenvolvimento de infraestruturas à entrada de 2026.

Uma das principais conclusões é o aumento do número de projetos anunciados ou comprometidos que não chegam à fase de construção. Os dados indicam que a capacidade comprometida global já supera largamente a capacidade em construção, com vários mercados a registarem volumes comprometidos mais do dobro do que aqueles efetivamente em obra. Este desfasamento não resulta de falta de procura nem de financiamento, mas sim de atrasos na ligação à rede elétrica, processos de licenciamento prolongados, exigências de reforço das redes e longos prazos de fornecimento de equipamentos críticos.

Outra tendência relevante é o peso crescente das políticas públicas na velocidade de execução dos projetos. Em alguns mercados maduros, os prazos de ligação à rede elétrica estendem-se por vários anos. Em contrapartida, países que simplificaram processos, clarificaram regras e coordenaram melhor com utilities estão a converter projetos em construção de forma mais consistente.

O relatório destaca ainda que o capital está a ser investido cada vez mais cedo no ciclo de desenvolvimento, muitas vezes ainda na fase de aquisição de terrenos ou negociação de energia. Embora esta abordagem permita garantir acesso a recursos escassos, aumenta também a exposição ao risco de execução, uma vez que os projetos ficam mais tempo sujeitos a incertezas regulatórias e operacionais.

Paralelamente, o crescimento está a afastar-se dos maiores e mais congestionados hubs globais. A escassez de energia, a falta de terrenos e a fricção regulatória estão a empurrar novos investimentos para mercados secundários e terciários, tanto na América do Norte como na Europa e na Ásia-Pacífico. Esta descentralização reflete limitações estruturais e não apenas oportunidades pontuais.

Por outro lado, os mercados com fornecimento energético estável e regras de planeamento claras estão a demonstrar maior capacidade de execução. Regiões como os países nórdicos apresentam taxas de crescimento consistentes e menor diferença entre projetos anunciados, comprometidos e entregues, beneficiando de planeamento energético alinhado e processos previsíveis.

Com a crescente procura, o verdadeiro diferencial já não é a quantidade de capacidade anunciada, mas sim a quantidade que pode ser efetivamente entregue”, afirmou Siddharth Muzumdar, Diretor de Investigação da DC Byte. “A disponibilidade de energia, o planeamento previsível e os calendários realistas são agora o que separa os mercados que escalam daqueles que estagnam”.

Neste novo contexto, a certeza torna-se um ativo estratégico. A próxima fase de crescimento dos data centers será definida menos pela ambição dos planos e mais pela capacidade de execução num ambiente cada vez mais condicionado.

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