CIO arriscam cortes orçamentais se IA não gerar resultados até meados de 2026

Um estudo da Dataiku revela que a pressão executiva e de governação está a aumentar. Entre 600 CIO inquiridos, 71% consideram que o orçamento de IA poderá ser reduzido/congelado caso os objetivos do primeiro semestre não sejam alcançados

CIO arriscam cortes orçamentais se IA não gerar resultados até meados de 2026

estudo global da Dataiku intitulado “The 7 Career-Making AI Decisions for CIOs in 2026”, e baseado num inquérito da Harris Poll a 600 CIO de grandes empresas, conclui que a maioria dos CIO inquiridos considera que tem até meados de 2026 para demonstrar valor mensurável da Inteligência Artificial (IA), sob pena de enfrentar cortes orçamentais e impacto na carreira. 

71% dos inquiridos no mesmo estudo admitem que o orçamento de IA poderá ser reduzido ou congelado caso não sejam alcançados objetivos até ao final do primeiro semestre de 2026. Além disso, 74% afirmam que o seu cargo estará em risco se a organização não conseguir gerar ganhos de negócio mensuráveis com IA nos próximos dois anos.

A pressão não se limita aos orçamentos. O estudo indica que 85% dos CIO esperam que a sua remuneração venha a estar diretamente associada a resultados concretos de IA, e 90% acreditam que a evolução da sua carreira será moldada pelo desempenho nesta área. Quase todos os inquiridos (95%) já reportam regularmente o desempenho de iniciativas de IA aos conselhos de administração.

A análise revela também sinais de arrependimento nas decisões tecnológicas recentes. Cerca de 74% dos CIO dizem lamentar pelo menos uma escolha relevante de fornecedor ou plataforma de IA feita nos últimos 18 meses. Em 62% dos casos, o CEO questionou diretamente essas decisões. Quase um terço dos inquiridos admite ter sido repetidamente solicitado a justificar resultados que não conseguiu explicar plenamente.

As lacunas de governação surgem como um dos principais entraves. 85% dos CIO afirmam que falhas de rastreabilidade ou explicabilidade já atrasaram ou bloquearam projetos de IA antes da entrada em produção. Além disso, 70% antecipam novos requisitos de auditoria ou explicabilidade nos próximos 12 meses.

O fenómeno de “shadow AI” também é preocupante enste contexto. Mais de metade dos inquiridos (54%) já identificou iniciativas de IA não autorizadas dentro da organização, enquanto 82% considera que os colaboradores estão a desenvolver agentes e aplicações de IA mais rapidamente do que a capacidade de controlo por parte das equipas de IT; apenas 25% afirma ter visibilidade completa, em tempo real, sobre todos os agentes de IA em produção.

O estudo aponta ainda para riscos sistémicos caso o mercado de IA sofra uma contração. 73% dos CIO esperam disrupções significativas nas suas empresas se ocorrer uma “bolha” da IA, 60% consideram que o seu próprio cargo ficaria em risco e 57% admitem que a sobrevivência da organização poderia estar em causa.

Para a Dataiku, 2026 marcará a transição definitiva da experimentação para a responsabilização. O relatório identifica sete decisões críticas, incluindo explicabilidade, governação multi-modelo, controlo de sprawl e prova de retorno do investimento, como determinantes para transformar a IA num fator de vantagem competitiva sustentável.

O inquérito foi realizado entre 11 de dezembro de 2025 e 7 de janeiro de 2026, abrangendo CIO dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Emirados Árabes Unidos, Austrália, Japão, Coreia do Sul e Singapura, todos em empresas com receitas anuais superiores a 500 milhões de dólares.

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