A adoção da inteligência artificial disparou na Europa, mas mais de metade das organizações admite que os dados continuam demasiado dispersos para suportar uma utilização fiável da tecnologia
|
A adoção da Inteligência Artificial (IA) nas organizações europeias acelerou significativamente no último ano, mas a fraca qualidade e organização dos dados está a comprometer a capacidade de transformar esse investimento em resultados concretos, segundo o Digital Maturity Index 2026, da Hyland. O estudo, que inquiriu três mil decisores de IT no Reino Unido, França, Alemanha, Espanha, Benelux e países nórdicos, avaliou a maturidade digital das organizações em cinco áreas: gestão de conteúdos, cloud, inteligência artificial e automação, cibersegurança e tecnologias open source, low-code e no-code. Segundo o relatório, 15% das organizações europeias já utilizam IA em todos os principais sistemas da empresa, um aumento de 650% face aos 2% registados em 2025. No entanto, 54% dos responsáveis admitem que a informação e os documentos continuam demasiado dispersos ou desorganizados para que a IA possa ser utilizada de forma fiável. Infraestrutura de conteúdos perde maturidadeEmbora o índice global de maturidade digital tenha subido de 63 para 69 pontos (numa escala de 100), a maturidade das plataformas de gestão de conteúdos foi a única categoria a recuar, descendo 13 pontos, para 56 pontos. De acordo com a Hyland, esta evolução revela um desequilíbrio crescente entre o investimento em tecnologias como IA e cloud e a modernização das infraestruturas responsáveis pela gestão da informação. O estudo mostra ainda que 60% das organizações continuam a operar com silos de informação, 57% afirmam que projetos de inovação ficam frequentemente bloqueados na fase de piloto e 50% dizem que os seus sistemas continuam sem uma integração adequada, dificultando a inovação. IA expõe fragilidades na gestão da informaçãoA Hyland considera que a rápida adoção da IA está a evidenciar problemas que já existiam ao nível da governação dos dados. Apesar de 42% das organizações afirmarem já operar totalmente em cloud ou terem migrado todas as cargas de trabalho possíveis, a fragmentação da informação continua a limitar o potencial destas tecnologias. “Não é possível construir uma empresa inteligente sobre conteúdos sem gestão. A Europa está a investir fortemente em IA enquanto a infraestrutura de informação que lhe serve de base continua a degradar-se. À superfície parece haver progresso, mas a IA só é tão eficaz quanto os conteúdos a que consegue aceder, compreender e em que pode confiar”, afirma John Newton, Chief Innovation Strategist da Hyland. O responsável acrescenta que “o próximo grande fator de diferenciação competitiva não será a informação, mas sim a confiança para agir com base nela. As empresas que vencerem a era da IA serão aquelas que primeiro resolverem os problemas na gestão dos seus conteúdos”. O relatório identifica ainda diferenças entre mercados. O Reino Unido lidera o índice europeu de maturidade digital, com 74 pontos, enquanto os países nórdicos registam 67 pontos. Espanha destaca-se pela maior adoção de plataformas de gestão integrada de conteúdos empresariais, com 12% das organizações a disporem de sistemas totalmente federados. |