91% dos profissionais consideram que as suas organizações ainda não aproveitam todo o valor da IA, segundo um inquérito global da Thomson Reuters a 1.800 profissionais
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A adoção crescente de Inteligência Artificial (IA) nas empresas ainda não se está a traduzir no valor esperado pelos profissionais. De acordo com o “2026 Future of Professionals Report”, da Thomson Reuters, 91% dos profissionais consideram que a sua organização está aquém do potencial que a tecnologia pode proporcionar. A análise, baseada num inquérito global a 1.800 profissionais de vários setores, aponta para uma diferença entre a ambição das estratégias de IA e a sua aplicação no trabalho quotidiano. Para Kirsty Roth, Chief Operating Officer da Thomson Reuters, a discussão começa agora a deslocar-se da experimentação para a transformação efetiva dos processos. “As pessoas estão a começar a perceber que estas tecnologias custam muito dinheiro e que ainda não veem necessariamente o valor que retiram delas”, afirma a responsável. Na sua visão, a conversa passou, por isso, para a questão clássica da gestão da mudança e, nesse sentido questiona: “temos toda esta tecnologia e todas estas ferramentas, mas como estamos realmente a mudar os nossos processos e a forma como operamos para sermos mais eficazes?”. Ferramentas multiplicam-se sem estratégia claraOs requisitos apontados pelos profissionais mostram também as prioridades para a utilização empresarial da IA. A proteção de dados confidenciais é considerada necessária por 96% dos inquiridos, enquanto 94% valorizam respostas baseadas em conteúdos considerados fiáveis e 90% defendem resultados com raciocínio explicável e defensável. Apesar destas expectativas, 41% dos profissionais que utilizam IA no trabalho dizem não ter acesso a ferramentas de elevada qualidade. Mesmo nas organizações com uma estratégia de IA identificada, 35% afirmam que essa estratégia não é visível no seu trabalho diário. Kirsty Roth associa parte do problema ao que designa como “tool blast”, uma proliferação de ferramentas disponibilizadas aos trabalhadores sem objetivos empresariais suficientemente definidos. “Já ouvi pessoas dizerem ‘deram-me todas estas coisas, mas o que é suposto fazer com elas?’”, refere. A responsável defende uma abordagem baseada em períodos de experimentação controlada, acompanhados pela medição dos resultados. Na Thomson Reuters, as ferramentas eram inicialmente testadas durante cerca de seis semanas. As que demonstravam benefícios eram alargadas a outras equipas, enquanto as restantes eram abandonadas. Experimentação tem de chegar à produçãoPara a responsável, a diferença começa a surgir quando as empresas transformam experiências com IA em casos de utilização concretos e integrados nos processos de negócio. Nesse seguindo, considera que as empresas que estão a obter melhores resultados com IA começam a selecionar ferramentas específicas e a adaptar os processos de negócio à sua utilização, em vez de manterem várias soluções numa fase permanente de experimentação. É a partir dessa integração nos processos, acrescenta, que começam a surgir melhorias de eficiência e poupanças. Para a responsável, a maioria das organizações permanece ainda numa fase de experimentação, enquanto aquelas que apresentam melhores resultados estão a concentrar os investimentos em casos de utilização específicos. Na Thomson Reuters, essa estratégia está centrada em cinco áreas, engenharia, apoio e sucesso do cliente, marketing, operações editoriais e de conteúdos e operações tecnológicas. Atualmente, 87% dos trabalhadores da empresa utilizam ativamente ferramentas de IA no trabalho diário. A experiência da empresa aponta ainda para a importância da gestão da mudança à medida que a IA passa da experimentação para processos de produção. Na perspetiva de Kirsty Roth, reduzir a incerteza dos trabalhadores perante a tecnologia e permitir uma utilização acompanhada numa fase inicial são elementos necessários para tornar a adoção mais consistente. |