Um estudo do Adecco Group aponta para uma transformação das funções e competências com a IA, num mercado em que a colaboração entre pessoas e tecnologia deverá assumir maior peso
|
A Inteligência Artificial (IA) está a alterar a organização do trabalho sem que, até agora, os indicadores apontem para uma redução generalizada do emprego, segundo um estudo internacional do Adecco Group que analisa diferentes cenários para a evolução do mercado laboral durante a próxima década. O relatório “On the threshold: AI, the future of work and the rise of hybrid labor markets”, encomendado pelo Adecco Group e desenvolvido em parceria com a Altermind, destaca que, nos 38 países da OCDE, a taxa de emprego se mantém próxima de máximos históricos, nos 72,1%, enquanto o desemprego permanece perto de mínimos. Entre 2023 e 2025 foram ainda criados cerca de 1,3 milhões de empregos relacionados com IA. A adoção empresarial permanece, contudo, numa fase inicial. Segundo os dados apresentados no estudo, menos de uma em cada dez empresas integrou IA em escala nos seus principais fluxos de trabalho. “Estamos a entrar numa nova fase do futuro do trabalho. A inteligência artificial vai transformar tarefas, funções e modelos de trabalho, mas o impacto mais relevante estará na forma como conseguimos combinar tecnologia e talento para criar mais valor”, afirma Alexandra Andrade, Country Manager da Adecco Portugal. Quatro cenários para a próxima décadaO Adecco Group identifica quatro possíveis cenários para os próximos dez anos, construídos a partir de duas variáveis: o nível de autonomia alcançado pelos sistemas de IA e o grau de concentração da tecnologia e do capital. As possibilidades incluem uma economia em que a IA aumenta a produtividade enquanto o emprego permanece elevado e, no extremo oposto, um cenário denominado Deus Ex Machina, caracterizado por níveis elevados de automação e concentração de poder. Este último, que implicaria uma transformação mais radical do emprego, é considerado pelo estudo como o menos provável. A análise aponta para a formação de forças de trabalho híbridas, nas quais pessoas e sistemas digitais participam conjuntamente na criação de valor. Neste contexto, as empresas terão de avaliar não apenas que tarefas podem ser automatizadas, mas também como redesenhar funções e quais as competências necessárias para trabalhar com estes sistemas. Produtividade ganha relevância em PortugalO estudo destaca esta evolução como particularmente relevante para Portugal devido ao envelhecimento da população ativa e à escassez estrutural de talento. A utilização de IA poderá permitir automatizar algumas tarefas repetitivas e dedicar mais tempo a atividades em que as capacidades humanas continuam a ter um papel relevante. Entre as competências apontadas encontram-se a adaptabilidade, aprendizagem contínua, pensamento crítico, empatia, inteligência emocional, criatividade, colaboração e tomada de decisão. |