O “eGovernment Benchmark 2026” aponta progressos na digitalização dos serviços públicos europeus, mas identifica desafios na IA, serviços transfronteiriços e soberania digital
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Os Estados-Membros da União Europeia (UE) continuam a avançar na digitalização dos serviços públicos, mas terão de acelerar o ritmo para atingir a meta de disponibilizar 100% dos principais serviços públicos online até 2030. A conclusão consta do “eGovernment Benchmark 2026”, elaborado pela Capgemini em parceria com a Sogeti e a IDC. O relatório mostra que, depois dos avanços mais expressivos registados durante a pandemia, a evolução passou a ocorrer de forma mais gradual. Um dos indicadores positivos é a adaptação dos serviços públicos aos dispositivos móveis, que alcançou uma pontuação de 97,4 em 100, acima dos 96,1 registados no ano anterior. O estudo abrangeu os 27 Estados-Membros da UE e envolveu uma rede de Mystery Shoppers que, em novembro de 2025, analisou mais de 14 mil websites governamentais e 96 serviços públicos essenciais associados a nove eventos de vida. Os serviços destinados às empresas continuam a apresentar um nível de digitalização superior aos dirigidos aos cidadãos. Os primeiros obtiveram 88,6 pontos em 100, enquanto os serviços para cidadãos alcançaram 84,6 pontos. Apesar de a diferença estar a diminuir, persistem lacunas sobretudo nas áreas da saúde e da justiça. Segundo o relatório, os Estados-Membros ainda precisam de melhorar 270 serviços destinados a cidadãos e empresas para alcançarem a disponibilidade digital total. A distância é ainda maior nos serviços transfronteiriços, onde cerca de 610 serviços necessitam de melhorias. A evolução nesta área depende, entre outros fatores, de uma maior interoperabilidade dos sistemas de identificação digital e validação de documentos, da disponibilização dos serviços em várias línguas e de uma maior colaboração entre instituições públicas. A Inteligência Artificial (IA) é outro dos desafios identificados. Embora vários governos europeus tenham introduzido chatbots baseados em IA nos seus websites e aplicações, o número destas ferramentas estabilizou e a sua maturidade é, em muitos casos, ainda reduzida. O relatório alerta que, sem maior atenção à qualidade, estas soluções podem tornar mais complexa a interação dos cidadãos com os serviços públicos. A soberania digital assume igualmente um papel de destaque. Mais de um terço dos websites governamentais analisados estão alojados em servidores controlados por operadores cuja propriedade beneficiária final se encontra fora da UE, revelando uma dependência significativa de fornecedores estrangeiros. Perante este cenário, o relatório recomenda que os Estados-membros considerem aumentar o investimento no alojamento de serviços em infraestruturas de fornecedores europeus, incluindo através de potenciais Consórcios Europeus para as Infraestruturas Digitais (EDIC). Apesar dos progressos na disponibilização e utilização móvel dos serviços públicos, o “eGovernment Benchmark 2026” conclui que a UE terá de acelerar os investimentos e a cooperação em áreas como interoperabilidade, IA e soberania digital para cumprir os objetivos estabelecidos para 2030. |