Pensamento crítico reforça papel humano na era da IA

Um estudo da IBM revela um desfasamento entre empresas e trabalhadores: 71% dos líderes de RH valorizam a supervisão da IA, mas apenas 29% dos colaboradores destacam o julgamento humano

Pensamento crítico reforça papel humano na era da IA
InfiniteFlow / AdobeStock

A crescente utilização de Inteligência Artificial (IA) está a aumentar a importância do pensamento crítico e da capacidade de avaliar as decisões tomadas pela tecnologia, mas existe um desfasamento entre as prioridades dos responsáveis de recursos humanos e as dos trabalhadores, segundo um novo estudo do IBM Institute for Business Value.

O estudo, realizado em colaboração com a Oxford Economics, ouviu 1.500 responsáveis de recursos humanos e 8.800 trabalhadores. Entre os CHRO (Chief Human Resources Officers), 71% consideram que a capacidade de supervisionar, validar e, quando necessário, contrariar as respostas produzidas pela IA é a competência mais importante para os trabalhadores. Apenas 29% dos colaboradores colocam o julgamento humano entre as competências relevantes.

Ao mesmo tempo, 60% dos trabalhadores manifestam preocupação com a perda de competências provocada pela IA, sendo o pensamento crítico a capacidade mais frequentemente identificada como estando em declínio.

Entre os próprios responsáveis de RH, 57% apontam o pensamento crítico e a formulação de problemas como competências particularmente importantes na era da IA, enquanto 48% destacam o julgamento humano.

Responsabilidade pelas decisões continua indefinida

O estudo identifica também diferenças na forma como as organizações distribuem a responsabilidade pelas decisões tomadas com apoio da inteligência artificial.

Cerca de 43% dos trabalhadores afirmam que são responsabilizados quando algo corre mal com a IA, enquanto 41% dos CHRO consideram que os colaboradores poderão não se sentir seguros para questionar ou contrariar as recomendações dos sistemas.

Nas organizações onde os RH partilham a responsabilidade pela definição das decisões que devem continuar sob controlo humano, 76% dos trabalhadores dizem sentir-se confortáveis para questionar ou contrariar recomendações da IA. A percentagem desce para 43% quando os RH desempenham apenas um papel consultivo.

Apesar disso, 46% das organizações não envolvem o CHRO na definição da estratégia de inteligência artificial e apenas 28% dos responsáveis de RH indicam possuir um roteiro conjunto com as equipas de IT.

IA está também a criar trabalho adicional

Os ganhos de produtividade associados à tecnologia não significam necessariamente uma redução imediata da carga de trabalho. 80% dos CHRO consideram que a adoção de IA está a criar trabalho “invisível”, incluindo validar recomendações, corrigir erros, fornecer contexto e gerir exceções.

Entre os trabalhadores, 42% afirmam que a IA aumenta o volume de trabalho ou cria tarefas que acabam por não ser reconhecidas.

Segundo a IBM, as organizações que definem claramente quais os fluxos de trabalho liderados por pessoas, assistidos por IA ou executados pela própria tecnologia reportam uma redução de 18% do risco e uma melhoria de 20% na qualidade.

RH ainda utiliza pouco a inteligência artificial

Apesar do papel atribuído aos recursos humanos na transformação do trabalho, a adoção da tecnologia dentro da própria função continua limitada. De acordo com o estudo, 72% das organizações fazem uma utilização reduzida ou inexistente de IA nos RH.

Os responsáveis identificam ainda lacunas nas competências das próprias equipas, nomeadamente em literacia de IA, medição do desempenho da tecnologia e gestão da mudança.

Para a IBM, as organizações com capacidades de IA mais maduras nos recursos humanos, incluindo ao nível da governação, arquitetura e medição, apresentam uma maior probabilidade de reportar melhorias nos indicadores de negócio.

O estudo foi realizado entre abril e junho de 2026, abrangendo responsáveis de organizações de 21 geografias e 23 setores, além de trabalhadores a tempo inteiro de 28 países.

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