Cristina Freixo, Innovation Labs Director da Claranet Portugal, revelou que a empresa pretende disponibilizar a sua infraestrutura soberana para o desenvolvimento e teste de projetos de inteligência artificial. Em entrevista à IT Insight, durante a inauguração do Innovation Hub, a responsável destacou ainda duas soluções desenvolvidas internamente, uma das quais deverá gerar um milhão de euros em receitas até ao final de 2026
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A Claranet Portugal pretende alargar o acesso à sua infraestrutura soberana de Inteligência Artificial (IA), permitindo que clientes, parceiros e startups a utilizem para desenvolver e testar novos projetos. A ambição foi partilhada por Cristina Freixo, Innovation Labs Director da Claranet Portugal, em entrevista à IT Insight, durante a inauguração do Innovation Hub, no Beato Innovation District, em Lisboa. A iniciativa surge no âmbito da estratégia de inovação da empresa, que procura aproximar o desenvolvimento tecnológico das necessidades concretas das organizações. Além de apresentar soluções já desenvolvidas, o novo espaço pretende facilitar a colaboração com entidades externas e acelerar a passagem de projetos experimentais para ambientes de produção. “Estamos a construir uma infraestrutura soberana, especialmente importante nesta era da inteligência artificial, tanto do ponto de vista da soberania como da segurança”, afirmou Cristina Freixo. A responsável considera que esta infraestrutura constitui um elemento diferenciador da oferta tecnológica da Claranet Portugal. O objetivo passa por disponibilizar capacidades que permitam a outras organizações experimentar novas soluções sem terem de desenvolver, necessariamente, toda a infraestrutura de suporte. “O que gostaríamos era de proporcionar acesso a essa infraestrutura aos nossos clientes, parceiros e startups, para poderem implementar e desenvolver os seus pilotos e fazer experiências”, explicou. Cristina Freixo identificou a passagem da experimentação para a utilização efetiva como um dos desafios que a iniciativa poderá ajudar a ultrapassar. Segundo a responsável, muitos projetos acabam por não avançar além da fase de piloto, apesar do investimento realizado no seu desenvolvimento. A Claranet pretende, por isso, criar condições para que as organizações possam testar soluções e acompanhar a sua evolução até à entrada em produção, contribuindo para acelerar o respetivo go-to-market. Solução de conformidade já está em cerca de 30 clientesDurante a entrevista, Cristina Freixo destacou dois exemplos de inovação desenvolvidos pela Claranet Portugal, com origens e objetivos distintos: uma solução criada para responder a necessidades identificadas no mercado e outra orientada para melhorar a eficiência dos processos internos. O primeiro é o 360 Security & Compliance, uma plataforma destinada a apoiar as organizações na gestão de requisitos regulamentares e de conformidade. A solução foi desenvolvida em resposta às necessidades de clientes sujeitos a diferentes obrigações legais e regulamentares, incluindo as associadas à NIS2, ao DORA e ao RGPD. A plataforma permite gerir os referenciais de conformidade e as evidências necessárias para demonstrar o cumprimento dos requisitos aplicáveis. “É um produto que já temos em cerca de 30 clientes, de todos os setores, e a nossa expectativa é que, até ao final de 2026, gere um milhão de euros de receita”, revelou Cristina Freixo. O valor corresponde a uma expectativa da empresa para o produto, e não a receitas já realizadas. A responsável não detalhou a distribuição dos clientes por setor nem a proporção da receita prevista que já se encontra contratada. Agente de IA reduz tempo de intervenção no suporteO segundo exemplo destacado foi o Automated Dispatcher, uma solução de automatização desenvolvida para responder a um desafio operacional interno da Claranet. Conhecido internamente como Alfredo, o agente automatiza a categorização dos pedidos de suporte apresentados pelos clientes, reduzindo a necessidade de intervenção manual nesta etapa do processo. Segundo Cristina Freixo, a implementação da solução permitiu obter ganhos de eficiência mensuráveis nas operações de suporte. “Com a introdução deste agente, conseguimos reduzir entre 35% e 40% o tempo de intervenção que temos nos pedidos dos nossos clientes”, afirmou. A responsável associou esta redução à melhoria da eficiência interna e da qualidade do serviço prestado, considerando que a automatização permite diminuir o esforço dedicado a tarefas operacionais. Os dois projetos ilustram abordagens diferentes à inovação na Claranet: enquanto o 360 Security & Compliance surgiu de uma necessidade identificada junto dos clientes e se transformou num produto comercial, o Automated Dispatcher nasceu da procura de maior eficiência nos processos da própria organização. Innovation Hub pretende aproximar empresas e ecossistema tecnológicoO novo Innovation Hub representa uma evolução do programa de open innovation que a Claranet Portugal mantém desde 2022. Até agora, grande parte da atividade desenvolvida neste âmbito tinha uma expressão essencialmente digital, o que dificultava a demonstração dos resultados e a partilha de conhecimento entre equipas. Com a abertura do espaço físico, a empresa pretende tornar mais visíveis os projetos desenvolvidos e demonstrar o respetivo impacto, tanto na operação interna como na oferta disponibilizada ao mercado. “Uma vertente muito importante da inovação para nós é a criação de valor e impacto. Aqui também conseguimos demonstrar que as nossas soluções de inovação são soluções que depois nos trazem valor e geram impacto”, explicou Cristina Freixo. A responsável acrescentou que o espaço deverá contribuir para melhorar a circulação de informação dentro da própria empresa, permitindo que diferentes equipas conheçam os projetos em desenvolvimento e identifiquem oportunidades de colaboração. A ambição, contudo, vai além da organização. A Claranet pretende utilizar o Innovation Hub como ponto de encontro com clientes, parceiros tecnológicos, universidades e startups, reforçando a colaboração no desenvolvimento de novas soluções. “A ambição é alargar a clientes, parceiros, universidades e startups e trazer um ecossistema de inovação para cocriar connosco, porque acreditamos que isso terá maior valor acrescentado”, afirmou. Com esta estratégia, a Claranet Portugal procura combinar a demonstração de produtos já desenvolvidos com a criação de novas oportunidades de colaboração. A disponibilização da infraestrutura soberana de IA poderá constituir uma das próximas etapas dessa abordagem, embora Cristina Freixo não tenha avançado um calendário para a abertura do acesso a entidades externas. |