A Inteligência Artificial poderá automatizar até 30% das tarefas dos profissionais do conhecimento até 2030, segundo a Frost & Sullivan. Ainda assim, a falta de competências digitais ameaça limitar esta transformação
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A Inteligência Artificial (IA) generativa poderá automatizar até 30% das tarefas desempenhadas por profissionais do conhecimento até 2030, alterando a forma como são prestados serviços em áreas como investigação, educação, consultoria, direito e design, segundo uma análise da Frost & Sullivan. A consultora considera que a combinação entre competências humanas, infraestruturas digitais e IA será um dos principais fatores de competitividade económica até 2035. No entanto, a escassez de profissionais qualificados e as desigualdades no acesso à tecnologia poderão limitar a capacidade das organizações para aproveitar estas oportunidades. De acordo com os dados apresentados, 59% dos trabalhadores a nível mundial precisarão de adquirir novas competências até 2030, enquanto apenas 28% da força de trabalho global possui formação superior ou competências digitais formais. Esta diferença representa um desafio para as empresas, numa altura em que aumenta a procura de profissionais especializados em IA, análise de dados, cloud e outras tecnologias. Competências humanas e IA impulsionam nova economiaA Frost & Sullivan identifica a convergência entre inteligência humana, inteligência digital e inteligência artificial como um dos principais motores da chamada economia do conhecimento. Este modelo, designado HiDiAi, combina a experiência e as competências especializadas dos profissionais com plataformas digitais, ecossistemas de dados e sistemas de IA. A integração destas capacidades permite apoiar a tomada de decisões, automatizar processos e desenvolver novos serviços baseados em conhecimento. Segundo a consultora, a transformação está a expandir-se para além dos setores tradicionalmente associados à investigação e aos serviços especializados, abrangendo também a indústria, as cadeias de abastecimento, os serviços financeiros e a saúde. A crescente utilização de IA está a alterar os fatores de diferenciação entre empresas e mercados, aumentando a importância do acesso a talento qualificado, infraestruturas digitais e capacidade de investigação. Desigualdade digital limita acesso à economia do conhecimentoA disponibilidade de infraestruturas digitais continua a apresentar diferenças significativas entre regiões. Em 2023, cerca de 2,6 mil milhões de pessoas permaneciam sem acesso à Internet, uma situação que limita as oportunidades de formação, utilização de serviços digitais e participação na economia. Por sua vez, em 2024, a taxa de penetração da Internet atingia 93,4% nas economias de rendimento elevado, comparativamente com 26,5% nos países de baixo rendimento. As diferenças também se verificam no investimento em investigação e desenvolvimento (I&D): enquanto as economias de rendimento elevado investem mais de 2,5% do produto interno bruto (PIB) nesta área, os países de baixo rendimento destinam menos de 0,5%. A Frost & Sullivan considera que estas disparidades influenciam a capacidade dos países para desenvolver competências tecnológicas, atrair investimento e criar serviços de maior valor acrescentado. IA e regulamentação transformam modelos de negócioNeste contexto, a consultora identifica três tendências que deverão influenciar o crescimento da economia do conhecimento: a evolução das tecnologias, as alterações geopolíticas e a transformação dos modelos de prestação de serviços. A adoção empresarial de IA aumentou de 20% em 2019 para mais de 50% em 2023, refletindo a integração crescente destas tecnologias nas operações das organizações. Ao mesmo tempo, as exigências regulamentares relacionadas com a localização e transferência de dados estão a aumentar a complexidade das operações internacionais. A utilização de plataformas digitais e sistemas de IA está também a reduzir a necessidade de intermediários em atividades como consultoria, serviços jurídicos, educação e investigação. Segundo os dados apresentados pela Frost & Sullivan, com referência à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), as empresas que investem em I&D e no desenvolvimento de competências digitais registam ganhos de produtividade entre 30% e 50% superiores ao longo de cinco anos. A Frost & Sullivan destaca ainda oportunidades em três áreas: indústria inteligente, cadeias de abastecimento orientadas por dados e comercialização de ativos digitais. Na indústria, a combinação de IA, Internet das Coisas Industrial (IIoT), computação na periferia da rede e analytics está a permitir desenvolver sistemas de manutenção preditiva, digital twins e processos de produção automatizados. Nas cadeias de abastecimento, o investimento em soluções digitais triplicou desde 2020, aumentando a procura de tecnologias de rastreabilidade, integração de dados e análise preditiva. Competitividade dependerá da preparação tecnológicaA Frost & Sullivan prevê que, até 2035, a intensidade de conhecimento assuma maior importância na competitividade dos diferentes setores económicos. As Tecnologias de Informação e Comunicação, os semicondutores e a indústria farmacêutica encontram-se entre os setores mais dependentes de conhecimento especializado, enquanto as indústrias automóvel e financeira estão a aumentar o peso do software, dos dados e da IA. A consultora considera que a capacidade de transformar conhecimento em produtos e serviços comercializáveis dependerá da articulação entre competências humanas, infraestruturas digitais e IA. Para as empresas, esta evolução deverá aumentar a importância do investimento em formação, investigação e desenvolvimento tecnológico. Para os governos, as prioridades incluem o reforço das competências digitais, a expansão das infraestruturas e a definição de políticas de governação da IA. |