Falta de competências ameaça aposta na IA

Estudo da Forrester revela que colaboradores não estão preparados para usar IA, travando produtividade e retorno do investimento nas organizações

Falta de competências ameaça aposta na IA

A adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) nas empresas está a avançar mais rapidamente do que a capacidade dos colaboradores para as utilizar de forma eficaz, criando um novo bloqueio à produtividade.

Os dados constam do relatório AIQ 2.0: Employees (Still) Aren’t Ready To Succeed With Workforce AI, da Forrester, que conclui que os trabalhadores continuam sem competências suficientes para tirar partido da IA, apesar do investimento crescente das organizações.

A Forrester mede este défice através do AIQ (Artificial Intelligence Quotient), indicador que avalia o nível de preparação dos colaboradores. Os dados apontam para uma realidade preocupante: a maioria das empresas já implementou ferramentas de IA, mas não investiu de forma proporcional na formação das equipas.

Segundo o estudo, apenas metade das organizações disponibiliza formação em IA para colaboradores não técnicos, apesar da crescente utilização de soluções como Microsoft 365 Copilot, Google Workspace com Gemini ou ChatGPT Enterprise.

Além da falta de competências, o receio em relação ao impacto da IA no emprego continua elevado. Embora a Forrester não antecipe uma perda massiva de empregos, a perceção dos colaboradores é influenciada por discursos empresariais que associam despedimentos à adoção de IA.

O estudo revela ainda que a evolução das competências tem sido limitada. A percentagem de profissionais que compreendem e utilizam técnicas como prompt engineering aumentou apenas de 22% para 26% entre 2024 e 2025, um crescimento considerado insuficiente face à importância destas capacidades.

Esta falta de preparação está a comprometer os ganhos de produtividade esperados: colaboradores com baixo AIQ tendem a não utilizar as ferramentas ou a utilizá-las de forma incorreta, obrigando à repetição de tarefas e reduzindo a eficiência. Adicionalmente, muitos profissionais não sabem avaliar criticamente os resultados gerados por IA, nem aplicar princípios éticos no seu uso, aumentando o risco de erros e decisões inadequadas.

A Forrester conclui que o problema não reside nos colaboradores, mas na falta de estratégia das organizações na criação de ambientes de aprendizagem e capacitação adequados.

Para ultrapassar este desafio, a consultora recomenda a adoção de modelos estruturados de avaliação e desenvolvimento de competências, como o AIQ, permitindo identificar lacunas e definir planos de formação alinhados com os objetivos de negócio.

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