Estudo da Randstad alerta para falta de talento técnico e desigualdades no acesso à IA, com impacto crescente no mercado de trabalho global
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A crescente adoção de Inteligência Artificial (IA) está a intensificar a escassez global de talento técnico e a aprofundar desigualdades no acesso à tecnologia, segundo um novo estudo da Randstad. A análise, baseada em mais de 50 milhões de anúncios de emprego e num inquérito a 12 mil profissionais, revela que a procura por perfis técnicos essenciais para suportar infraestruturas de IA está a crescer a um ritmo acelerado. Desde o final de 2022, as vagas para engenheiros de AVAC aumentaram 67%. A procura por técnicos de robótica cresceu 107% e por especialistas em automação industrial 51%, refletindo o impacto direto da expansão da infraestrutura tecnológica. Este aumento da procura está a pressionar o mercado de trabalho, com o tempo médio de contratação para funções técnicas a ultrapassar o de outras áreas (56 dias face a 54). A situação é agravada por fatores demográficos, num contexto em que a saída de profissionais qualificados supera a entrada de novos trabalhadores. O estudo destaca ainda desigualdades significativas no acesso à IA. Apenas 23% dos profissionais da geração Baby Boomer tiveram contacto com esta tecnologia no trabalho, face a 45% da Geração Z. A formação segue a mesma tendência, evidenciando um fosso geracional que pode comprometer a requalificação de talento sénior. Também ao nível do género se verifica uma disparidade relevante. Enquanto 71% dos homens afirmam ter competências em IA, apenas 29% das mulheres dizem o mesmo, refletindo menor acesso a formação e oportunidades de desenvolvimento. Segundo Sander van ‘t Noordende, CEO da Randstad, o principal desafio não está na substituição de empregos pela IA, mas na falta de profissionais capazes de suportar a infraestrutura que a tecnologia exige, desde data centers a redes energéticas. Em Portugal, Raul Neto, CEO da Randstad, sublinha que a resposta passa pela democratização do acesso à formação tecnológica, com especial foco nas mulheres e nas gerações mais seniores, cuja menor adoção pode agravar a escassez de talento. A Randstad defende que as empresas devem reavaliar o papel dos ofícios técnicos, posicionando-os como carreiras estratégicas, e investir em programas de requalificação mais personalizados e inclusivos. O estudo conclui que, sem uma abordagem mais equitativa na adoção da IA, o número de profissionais preparados para responder às exigências do futuro será insuficiente, colocando pressão adicional sobre o crescimento económico e a competitividade das organizações. |