A administração Trump quer travar a utilização de modelos de IA dos EUA por empresas chinesas e, entre as medidas, incluem-se a deteção de extração e possíveis sanções
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A administração de Donald Trump anunciou novas medidas para limitar a utilização indevida de modelos de Inteligência Artificial (IA) desenvolvidos nos Estados Unidos por empresas estrangeiras, com foco particular na China. Num memorando divulgado na quinta-feira, 23 de abril, Michael Kratsios, conselheiro científico e tecnológico do presidente norte-americano, acusou entidades estrangeiras, “principalmente sediadas na China”, de conduzirem operações em larga escala para extrair capacidades de sistemas de IA norte-americanos. Esta prática, conhecida como distillation, permite transferir conhecimento de modelos mais avançados para sistemas menos sofisticados. Segundo o responsável, o governo norte-americano pretende colaborar com empresas de IA para identificar estas atividades, reforçar mecanismos de proteção e definir formas de penalização para os infratores. A resposta chinesa foi imediata. A embaixada da China em Washington criticou as acusações, classificando-as como injustificadas e reiterando o compromisso do país com a cooperação tecnológica e a proteção da propriedade intelectual. Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês rejeitou as alegações, acusando os EUA de tentarem travar o desenvolvimento tecnológico chinês. Em paralelo, o Congresso norte-americano está a avançar com legislação para identificar entidades estrangeiras que extraiam características técnicas de modelos de IA proprietários. A proposta prevê a aplicação de sanções a organizações envolvidas neste tipo de práticas. O debate em torno da distillation ganhou visibilidade após acusações dirigidas a empresas chinesas. A startup DeepSeek foi apontada como tendo desenvolvido modelos competitivos com base em técnicas de extração de conhecimento de sistemas norte-americanos. Também empresas como a OpenAI e a Anthropic alegaram atividades semelhantes por parte de laboratórios chineses. Especialistas sublinham, no entanto, a dificuldade em distinguir entre utilização legítima e extração indevida, dado o elevado volume de interações com modelos de IA. A partilha de informação entre fornecedores e o envolvimento governamental poderão ser determinantes para mitigar este tipo de risco. |