Preparação das equipas trava impacto da IA

A adoção de IA continua a acelerar nas empresas, mas apenas 23% dos líderes consideram que os colaboradores estão preparados para trabalhar com esta tecnologia, revela um estudo da Kyndryl

Preparação das equipas trava impacto da IA

A adoção de Inteligência Artificial (IA) continua a acelerar nas empresas, mas apenas 23% dos líderes consideram que os colaboradores estão preparados para trabalhar com esta tecnologia, conclui o mais recente People Readiness Report da Kyndryl, realizado junto de 1.100 líderes empresariais.

O estudo revela que 57% das organizações já integraram a IA nos processos essenciais do negócio ou a implementaram de forma generalizada, uma subida face aos 35% registados no ano anterior. Ainda assim, apenas 32% afirmam ter alcançado pelo menos um dos seus dois principais objetivos em IA e apenas 11% dizem ter cumprido ambos.

Segundo a Kyndryl, a diferença entre as organizações com melhores resultados reside, sobretudo, na capacidade para redesenhar funções, adaptar os modelos operacionais e preparar os colaboradores para novas formas de trabalho.

“Este é um momento crítico para as empresas globais, que estão a correr para adotar a IA, redesenhar fluxos de trabalho e acelerar a inovação, mas estão a perceber que o seu maior ativo, os seus colaboradores, precisa de mais atenção”, afirma Kim Basile, CIO da Kyndryl. A responsável acrescenta que “as organizações que investem nas pessoas, seja a repensar funções e processos, a apostar na requalificação ou a acompanhá-los ao longo da mudança, estão a obter resultados positivos a um ritmo mais elevado”.

O relatório identifica um grupo restrito de organizações, designadas Pacesetters, que representam cerca de 9% da amostra e se distinguem por redesenhar as funções em torno da IA, implementar uma gestão estruturada da mudança e preparar os colaboradores para a transição.  Estas empresas apresentam uma probabilidade 1,5 vezes superior de gerar crescimento de receitas com IA e 1,6 vezes superior de impulsionar a inovação em produtos e serviços.

Apesar da crescente adoção, a preparação das equipas continua a ser apontada como um dos principais obstáculos. Apenas 23% das organizações consideram que os seus colaboradores estão totalmente preparados para trabalhar com IA, menos seis pontos percentuais do que no ano anterior, enquanto 79% acreditam que a evolução da tecnologia ultrapassará a capacidade de adaptação das equipas, dos modelos operacionais e das estruturas de governação.

O estudo identifica igualmente desafios relacionados com a evolução para agentes de IA autónomos. Embora 81% das organizações esperem que estes sistemas venham a tomar decisões com impacto no negócio durante o próximo ano, apenas um quarto afirma confiar plenamente em sistemas capazes de operar sem supervisão humana.

Para Mark Paulek, Chief Human Resources Officer da Kyndryl, esta transformação exige uma reorganização profunda da gestão de pessoas. “A capacidade da IA para transformar o trabalho está a desafiar as organizações a reestruturar a sua força de trabalho mais rapidamente do que nunca”, afirma.

Segundo o responsável, “os líderes na dianteira estão a alinhar competências, funções e tomada de decisões com a forma como o trabalho está efetivamente a mudar. Quando as pessoas compreendem o seu papel nesse sistema, a confiança e o desempenho crescem em conjunto”.

Entre as medidas já adotadas pelas organizações, o relatório destaca a redefinição de funções, referida por 61% dos inquiridos, e a criação de cargos dedicados à gestão da IA, uma estratégia seguida por 24% das empresas.

Paralelamente, 52% dos líderes inquiridos admitem ter dificuldade em encontrar profissionais com as competências necessárias para executar as suas estratégias de IA, enquanto um terço já implementou programas de formação orientados para a colaboração entre pessoas e ferramentas de IA.

A Kyndryl conclui que a governação será igualmente determinante para o sucesso da adoção da IA. Atualmente, apenas 33% das organizações dispõem de políticas claras sobre as decisões que podem ou não ser tomadas por sistemas de IA e 27% implementaram mecanismos de monitorização para todos os sistemas.

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