Portugal apresenta a maior percentagem de mulheres inventoras da Europa. Ainda assim, o percurso entre a formação STEM e a inovação patenteada continua marcado por perdas de talento feminino
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Portugal é o país europeu com a maior proporção de mulheres inventoras, segundo o estudo “Advancing Women in STEM”, divulgado pelo Observatório de Patentes e Tecnologia do Instituto Europeu de Patentes (EPO). Em 2022, 26,8% dos inventores identificados em pedidos de patente europeia com origem portuguesa eram mulheres, acima da média europeia de 13,2%. O relatório conclui que Portugal lidera a Europa neste indicador, à frente de países como Espanha, Bélgica e França. O resultado reflete uma evolução sustentada ao longo da última década e confirma o posicionamento do país entre os ecossistemas de inovação mais inclusivos da região. Apesar deste desempenho, o estudo identifica um problema estrutural comum à maioria dos países europeus relacionado com a perda gradual de mulheres ao longo da carreira científica e tecnológica. Embora as mulheres representem 42% dos diplomados em áreas STEM na União Europeia, a sua presença diminui à medida que avançam para funções de investigação, empreendedorismo tecnológico e atividades de invenção. Os dados mostram que apenas 24% dos inventores registados em pedidos de patente europeia são mulheres. Entre os fundadores de startups tecnológicas, a percentagem desce para cerca de 15%, evidenciando uma quebra significativa na transição entre formação, investigação e criação de empresas inovadoras. Maior discrepância no setor tecnológico Segundo o EPO, as mulheres com formação STEM têm aproximadamente metade da probabilidade dos homens de se tornarem inventoras ou de participarem em atividades de patenteamento. O estudo conclui que esta diferença não resulta de níveis inferiores de qualificação, mas de fatores associados ao acesso a financiamento, redes profissionais, oportunidades de progressão e mecanismos de transferência de conhecimento. O relatório identifica igualmente diferenças significativas entre setores tecnológicos. As áreas mais ligadas à investigação académica e às ciências da vida tendem a apresentar maior equilíbrio de género, enquanto domínios tradicionalmente associados à engenharia industrial e às tecnologias profundas continuam a revelar uma participação feminina mais reduzida. Outro dos aspetos destacados pelo EPO é o papel das universidades e instituições públicas de investigação na promoção da participação feminina. Estudos anteriores do organismo europeu já tinham mostrado que Portugal apresenta níveis particularmente elevados de mulheres inventoras associadas ao ensino superior e aos centros públicos de investigação, acima da média europeia. Para os decisores empresariais, o EPO sublinha que a diversidade deixou de ser apenas uma questão de representação. A instituição considera que a subutilização do talento feminino constitui um desafio para a competitividade europeia num contexto marcado pela corrida global à Inteligência Artificial, Deep Tech e tecnologias avançadas. O estudo defende, por isso, políticas focadas na retenção de talento feminino ao longo da carreira STEM, no acesso ao financiamento para startups tecnológicas lideradas por mulheres e na criação de mecanismos que facilitem a transição da investigação científica para a inovação protegida por patente. O objetivo passa por aproveitar uma reserva de talento que continua subutilizada no ecossistema europeu de inovação. |