BCG conclui que o crescimento da gestão de ativos dependerá cada vez mais da IA, da distribuição e da tokenização, e menos da valorização dos mercados
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A indústria global de gestão de ativos está a entrar numa nova fase de transformação, em que o crescimento dependerá menos da valorização dos mercados financeiros e mais da capacidade dos gestores para captar novos fluxos de investimento, reforçar os canais de distribuição e integrar tecnologias como a Inteligência Artificial (IA) e a tokenização. A conclusão consta do estudo “Global Asset Management Report 2026: An Imperative for Growth”, da Boston Consulting Group (BCG). Segundo o relatório, os ativos sob gestão atingiram 147 biliões de dólares em 2025, um aumento de 11% face ao ano anterior. No entanto, mais de 80% do crescimento bruto das receitas do setor resultou da valorização dos mercados, evidenciando a forte dependência de fatores externos. Apesar de os ativos sob gestão terem quase triplicado desde 2010, a rentabilidade agregada da indústria manteve-se próxima dos 30%. Entre 2010 e 2025, as receitas cresceram, em média, 5,1% por ano, enquanto os custos aumentaram 5,4%, refletindo uma alavancagem operacional negativa. O BCG atribui esta evolução à compressão das comissões, ao crescimento dos produtos passivos e ETF e ao aumento do investimento em tecnologia. O estudo destaca ainda uma mudança na dinâmica competitiva do setor. Nos Estados Unidos, os dez maiores fornecedores de fundos passivos e ETF concentraram mais de 90% dos fluxos líquidos desde 2015. Em contrapartida, no segmento da gestão ativa, a quota dos dez maiores operadores diminuiu de 63% para 56% no mesmo período, enquanto os mercados europeu e asiático registaram uma menor concentração. Neste contexto, o BCG considera que a vantagem competitiva dos gestores dependerá cada vez mais da sua capacidade de distribuição e da integração nos processos de decisão dos investidores, e não apenas da performance dos produtos financeiros. A IA surge como um dos principais motores desta transformação. Segundo a consultora, a adoção destas tecnologias poderá permitir uma redução dos custos entre 25% e 35% nos próximos três a cinco anos, além de multiplicar a capacidade de análise e de acompanhamento de clientes. A inteligência artificial deverá ser aplicada em áreas como investigação, distribuição, operações, trading e personalização de soluções de investimento, permitindo às gestoras aumentar a escala das operações sem um crescimento proporcional dos recursos. Ainda assim, o BCG alerta que muitas organizações continuam numa fase inicial de adoção, focadas em projetos-piloto e casos de uso isolados, em vez de promoverem uma transformação transversal dos modelos operacionais, da arquitetura de dados e da governação. O estudo chama também a atenção para a realidade europeia. Os ativos de pensões capitalizados representam, em média, apenas cerca de 33% do PIB na Europa Continental, com países como Alemanha, Itália e Espanha a registarem valores particularmente baixos. Ao mesmo tempo, quase metade dos investidores globais pretende aumentar a diversificação geográfica dos seus investimentos, identificando a Europa como o principal destino, o que poderá representar uma oportunidade para as gestoras com presença local. Paralelamente, o relatório “The Future of Digital Assets” conclui que a tokenização deverá assumir um papel estratégico na evolução da infraestrutura dos mercados financeiros. O BCG estima que os ativos reais tokenizados possam representar cerca de 16% dos ativos globais investíveis até 2035, prevendo um volume de 14 biliões de dólares até 2030 e de 55 biliões de dólares até 2035. Segundo a consultora, a tokenização tem potencial para transformar processos como a liquidação, o desenho de produtos financeiros, a distribuição, a custódia e a gestão de colateral, sendo os fundos tokenizados, as operações de recompra (repo) e alguns instrumentos de rendimento fixo os casos de utilização com maior potencial de adoção inicial. Para o BCG, a evolução da indústria dependerá cada vez mais da capacidade das gestoras para incorporar IA, adaptar os modelos operacionais e preparar-se para uma infraestrutura de mercado em transformação, onde a distribuição e o acesso aos canais de investimento assumirão um papel tão relevante quanto a própria performance dos ativos. |