O secretário-geral da ONU alertou que a IA está a evoluir mais depressa do que a capacidade de supervisão e defendeu regras globais, com especial enfoque na proteção das crianças
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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu a criação de regras globais para a Inteligência Artificial (IA) e alertou que o desenvolvimento desta tecnologia está a ultrapassar a capacidade de supervisão dos governos e das instituições. A intervenção decorreu na abertura do primeiro Diálogo Global sobre Governação da IA, organizado pelas Nações Unidas, em Genebra, na Suíça, onde António Guterres afirmou que a inovação tecnológica deve ser acompanhada por mecanismos de governação. “Se a IA quer ser poderosa, tem de ser governada”, afirmou. O responsável destacou a proteção das crianças como uma das prioridades da futura regulamentação internacional. Na sua intervenção, defendeu a criação de um Compromisso para a Segurança das Crianças na IA, através do qual as empresas passariam a demonstrar que os seus sistemas são seguros antes de os disponibilizarem a menores. Entre as medidas propostas, António Guterres referiu a proibição da geração de imagens de natureza sexual envolvendo crianças e a obrigação de os sistemas encaminharem os utilizadores para apoio humano sempre que detetem sinais de sofrimento ou risco. Apesar de reconhecer o potencial da IA em áreas como a saúde e o desenvolvimento económico, o secretário-geral alertou que as instituições continuam despreparadas para uma tecnologia que toma decisões de forma cada vez mais autónoma. Recordou ainda que, enquanto a internet demorou cerca de 15 anos a atingir mil milhões de utilizadores, a IA alcançou essa dimensão em apenas dois anos. António Guterres manifestou também preocupação com a concentração das tecnologias mais avançadas de IA num número reduzido de empresas e países, alertando para o risco de os países em desenvolvimento ficarem afastados da definição das regras e dos benefícios associados a esta transformação tecnológica. No encontro foi igualmente apresentado o primeiro relatório de um painel científico independente apoiado pela ONU. Segundo o documento, os EUA concentram 75% da capacidade computacional dos 500 principais supercomputadores dedicados à IA, enquanto a China representa 15%. O relatório conclui ainda que, apesar de mais de mil milhões de pessoas utilizarem semanalmente sistemas de IA conversacional, a adoção continua a ser significativamente inferior nos países em desenvolvimento. |