Um novo white paper da University of Phoenix conclui que a falta de estratégias para acompanhar a adoção da Inteligência Artificial pode comprometer a retenção de talento nas organizações
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A crescente adoção da Inteligência Artificial (IA) está a criar um novo desafio para as organizações: reter colaboradores que desenvolvem competências nesta área mais rapidamente do que as empresas conseguem adaptar processos, políticas e modelos de carreira. A conclusão é de um novo white paper da University of Phoenix College of Doctoral Studies, intitulado The Retention Mandate: Bridging the AI Fluency Gap to Secure the 2026 Workforce, desenvolvido por Wayne L. McCoy e publicado através do Center for Educational and Instructional Technology Research (CEITR). O estudo identifica aquilo que designa como um “AI fluency gap”, ou seja, um desfasamento entre a evolução das competências dos colaboradores e a capacidade das organizações para criarem estruturas que suportem o trabalho com IA. Segundo o autor, muitos profissionais já estão a aprender e a utilizar ferramentas de IA por iniciativa própria, enquanto as empresas continuam a desenvolver políticas, mecanismos de governação e percursos profissionais adequados à nova realidade. “Os trabalhadores não estão à espera que as organizações definam o futuro da IA no local de trabalho”, afirma Wayne L. McCoy. “Muitos já estão a aprender, a experimentar e a ganhar confiança com ferramentas de IA.” Para o investigador, o desafio das organizações passa por criar condições que permitam canalizar esse interesse para o desenvolvimento interno. “A oportunidade para os empregadores é criar uma estrutura em torno dessa energia, com normas claras, formação prática, apoio dos gestores e percursos de carreira que ajudem os colaboradores a ver um futuro dentro da organização”, acrescenta. O documento sustenta que a IA já não é só uma questão de produtividade ou eficiência operacional, mas, sobretudo, um fator de retenção de talento. Entre os temas analisados estão o fenómeno da aprendizagem informal de IA por iniciativa dos colaboradores, o impacto da tecnologia na identidade profissional, a importância da confiança e da segurança psicológica durante os processos de adoção tecnológica e o papel da governação na utilização responsável da IA. O white paper destaca ainda a relevância dos gestores intermédios neste processo. Segundo o autor, a capacidade das lideranças para compreender e apoiar a utilização da IA influencia diretamente a confiança dos colaboradores e a sua permanência nas organizações. Para responder a este desafio, o estudo propõe um roteiro assente em quatro prioridades: definir percursos profissionais associados à IA, implementar sistemas de avaliação de competências, reforçar programas de formação e capacitação e desenvolver competências de IA entre os gestores. McCoy defende que a adoção da IA deve ser encarada como uma transformação sociotécnica e não apenas como a implementação de uma nova tecnologia. Para isso as organizações deverão combinar investimento em ferramentas de IA com iniciativas de desenvolvimento de competências, governação e liderança. |