Metade das empresas sem estratégia centrada nas pessoas poderá perder talento em IA até 2027, segundo a Gartner
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A Gartner prevê que, até 2027, 50% das organizações sem uma estratégia de Inteligência Artificial (IA) centrada nas pessoas percam os seus principais talentos para concorrentes com maior foco na capacitação das equipas. A conclusão resulta do Gartner Global Labor Market Survey, realizado no primeiro trimestre de 2026 junto de mais de 12 mil colaboradores e gestores em 40 países, que analisou o impacto da IA no trabalho, na produtividade e na preparação das organizações. Segundo Swagatam Basu, Senior Director Analyst da Gartner, muitas organizações continuam a confundir métricas básicas de adoção com verdadeira transformação digital. O analista alerta para uma “ilusão de capacitação”, que pode comprometer retorno do investimento e retenção de talento. A Gartner identifica também falta de preparação estratégica por parte das empresas. Um estudo realizado em dezembro de 2025 junto de 197 executivos revelava que apenas 27% das organizações inquiridas tinham uma estratégia abrangente de IA e apenas 20% consideravam que a força de trabalho está preparada para trabalhar com estas tecnologias. Desta forma, o analista identifica quatro desafios principais para as organizações. O primeiro está relacionado com a medição do impacto da IA. Segundo a Gartner, avaliar apenas o tempo poupado não reflete o verdadeiro valor da tecnologia. Colaboradores capazes de utilizar IA em múltiplos contextos apresentam maiores níveis de produtividade, qualidade de trabalho e melhoria de processos. Outro dos pontos destacados prende-se com o recurso crescente a ferramentas pessoais de IA. De acordo com a análise, 88% dos colaboradores com acesso a soluções empresariais utilizam igualmente plataformas pessoais para tarefas profissionais, aumentando riscos associados a shadow AI e proteção de dados. A Gartner alerta também para desigualdades na adoção dentro das organizações. Embora a maioria dos colaboradores tenha acesso a IA empresarial, os utilizadores mais produtivos concentram-se sobretudo em cargos de gestão, enquanto muitos colaboradores operacionais continuam sem suporte ou orientação adequada. Por fim, o estudo destaca o impacto da perceção dos colaboradores na adoção da IA. A ansiedade relacionada com perda de emprego e transformação de funções está a limitar a utilização das tecnologias. Segundo a Gartner, colaboradores com uma visão positiva sobre IA têm 3,4 vezes mais probabilidade de apresentar elevados níveis de produtividade. Para responder a estes desafios, a consultora recomenda maior transparência na comunicação sobre o impacto da IA nas funções, reforço das políticas de governance e definição clara de modelos de colaboração entre humanos e sistemas de IA. |